CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO EM DOSSIÊ TEMÁTICO - Darandina Revisteletrônica 35ª edição
ENTRE TEXTOS: TRADUÇÃO, CRIAÇÃO E REESCRITA
Traduttore, traditore: seria o tradutor sempre um traidor? Ao longo do tempo, a tradução literária passou por uma tensão característica: de um lado, a demanda por fidelidade ao original; de outro, a inevitável transformação do texto durante o processo tradutório. Essa tensão, longe de ser resolvida por uma simples oposição, tem gerado uma variedade de concepções que buscam definir e caracterizar o fazer tradutório, especialmente ao considerá-lo uma atividade inserida em um contexto histórico, cultural e linguístico específico.
Apesar de a tradução ter se consolidado como campo autônomo apenas a partir da década de 1960, com os trabalhos de Eugene Nida, Georges Mounin e John Cunnison Catford, as reflexões sobre o ato tradutório remontam pelo menos à Antiguidade, com as ponderações do orador romano Marco Túlio Cícero. Ao longo do tempo, diferentes perspectivas passaram a questionar a centralidade de noções como equivalência e fidelidade ao texto de partida. Das três tipologias formuladas por Johann Wolfgang von Goethe à concepção de sobrevida dos textos em Walter Benjamin; da tipologia proposta por Roman Jakobson às discussões de Lawrence Venuti sobre a invisibilidade do tradutor; e, ainda, às práticas de transcriação desenvolvidas por Haroldo de Campos, delineou-se um campo que compreende a tradução como gesto crítico e criativo.
Nesse contexto, práticas como a tradução de poesia, a recriação de textos clássicos e a transposição para diferentes linguagens — como a audiovisual — evidenciam que o ato de traduzir implica, em maior ou menor grau, a reescrita. Assim, a prática tradutória tensiona as fronteiras entre tradução e criação literária, mobilizando questões como autoria, originalidade e fidelidade, além de ampliar as possibilidades de circulação e renovação de obras plurais.
A Darandina: Revista Eletrônica, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora — que possui sua própria linha de pesquisa dedicada à criação e à tradução literária —, ao iniciar, a partir de 2025, a aceitação de submissões de traduções literárias, busca expandir o espaço destinado a esse tipo de produção no periódico. Nesse sentido, este dossiê propõe enriquecer tanto a reflexão teórica quanto a prática tradutória, incentivando a submissão de trabalhos que explorem as múltiplas relações entre tradução, recriação e adaptação.
Serão aceitas traduções literárias, desde que acompanhadas de comentário crítico, bem como trabalhos dedicados à reflexão teórica e crítica sobre a tradução literária, contemplando, entre outros, os seguintes temas:
- A tradução literária como prática de criação;
- Relações entre tradução, recriação e adaptação;
- Discussões sobre fronteiras entre interartes, intermídia, tradução intersemiótica e adaptação;
- Processos tradutórios e escolhas estilísticas;
- Tradução comentada de poesia, prosa e textos dramáticos;
- Reflexões teóricas sobre tradução literária.
Período de submissão: de 06/04 a 19/06/2026, pelo sistema eletrônico de editoração de periódicos: https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/submission/wizard
Normas para submissão: https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/about/submissions
Previsão de publicação: outubro de 2026
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