DARANDINA REVISTELETRÔNICA https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina <p>A <em>Darandina Revisteletrônica</em> (ISSN 1983-8379, Qualis B2) é um periódico organizado por discentes do <a href="https://www2.ufjf.br/ppgletras/" target="_blank" rel="noopener">Programa de Pós-Graduação em Letras: Estudos Literários</a>, da <a href="https://www2.ufjf.br/fale/" target="_blank" rel="noopener">Faculdade de Letras</a>, da <a href="https://www2.ufjf.br/ufjf/" target="_blank" rel="noopener">Universidade Federal de Juiz de Fora</a> (Brasil), em parceria com pós-graduandos <em>stricto sensu</em> no campo de Literatura de outras instituições.</p> <p>A revista liga-se à área de Estudos Literários, publicando artigos de temas específicos em seus dossiês e de temática livre dentro de seu escopo em modalidade fluxo contínuo, além de resenhas, bem como criações e traduções literárias.</p> <p>Saiba mais sobre o periódico <a href="https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/about" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>.</p> Universidade Federal de Juiz de Fora pt-BR DARANDINA REVISTELETRÔNICA 1983-8379 <p><a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" rel="license"><img style="border-width: 0;" src="https://i.creativecommons.org/l/by/4.0/88x31.png" alt="Creative Commons License" /></a><br />Este trabalho está licenciado sob uma licença <a href="https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/" target="_blank" rel="license noopener">Creative Commons Attribution 4.0 International License</a>.</p> <p><strong>Direitos Autorais</strong></p> <p>Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:</p> <p>1. 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O <em>podbook</em> é apresentado como uma combinação da estrutura de audiolivros com a informalidade dos <em>podcasts</em>, um terceiro elemento, similar ao defendido por pesquisadores do áudio. A pesquisa indica que a literatura em áudio aproveita a flexibilidade e a interatividade do meio digital e busca discutir sobre a natureza performática e as especificidades da textualidade eletrônica. Para isso, ela perpassa as previsões sobre o fim da literatura, especialmente a imprensa, valendo-se das definições acerca do que é literário, a história do áudio atrelado à arte da palavra, as especificidades da textualidade audiolivresca e das mídias nascidas em áudio. O texto também aborda o consumo de <em>podcast</em> na cultura brasileira e como a tecnologia digital transformou a recepção de narrativas, destacando as narrativas sonoras.</p> Lilian Pacheco Monteiro da Costa Copyright (c) 2025 Lilian Pacheco Monteiro da Costa https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 1 17 10.34019/1983-8379.2025.v18.49593 O LEITOR E A LEITURA 'NA' E 'DA' CULTURA DIGITAL https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49441 <p>Para além dos muitos suportes propiciados pelo advento das novas tecnologias digitais, as possibilidades de leitura na contemporaneidade conectada também são diversas, e as plataformas de autopublicação virtuais e <em>websites</em> do gênero têm contribuído para uma maior dinamicidade da atividade em questão. Diante disso, o presente artigo coloca em debate a interatividade inerente ao universo das telas no que diz respeito à prática de leitura, partindo do contexto proporcionado por uma plataforma de autopublicação virtual chamada <em>Wattpad</em>, o principal objeto de pesquisa de uma tese de doutoramento defendida na área de Letras: Estudos Literários. Para maior e mais profunda discussão, alguns estudiosos foram eleitos, como é o caso de Roger Chartier (1999), Lucia Santaella (2004) e Katherine Hayles (2012). A supramencionada plataforma expande os horizontes não somente de quem escreve, mas, especialmente, de quem lê, promovendo imersão interativa aos <em>wattpaders</em> que estão em meio às telas, requisito <em>sine qua non</em> para ler, ser e estar no mundo moderno.</p> Jennifer da Silva Gramiani Celeste Copyright (c) 2025 Jennifer da Silva Gramiani Celeste https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 18 38 10.34019/1983-8379.2025.v18.49441 TWITTER SOCIAL MEDIA AUS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49564 <p>Fanfiction, um produto da cultura de fandom que se acredita ter começado na década de 1960 com <em>Star Trek</em>, é um tipo de literatura que está progressivamente entrando nas discussões acadêmicas. Este artigo opta por focar em um tipo especial de fanfic, as Social Media AUs, que são fanfics ambientadas e contadas através do formato de redes sociais. A primeira parte da análise mostra como esse tipo de fanfic estava sendo produzido nos espaços de fanfic mais tradicionais – arquivos virtuais como FanFiction.Net e Archive Of Our Own (AO3) – e como as escritoras escolheram representar a interação em redes sociais. A segunda parte discute a mudança desses arquivos para o Twitter (X) e analisa aspectos que diferenciam as Social Media AUs produzidas no aplicativo: uso de imagens, recriação de formatos de mídia social, praticidade na leitura, ferramentas interativas e abordagem multimídia. Para isso, exemplos reais de fanfics do AO3 e do Twitter são usados e autoras como Derecho (2006) e Vargas (2005) são trazidas para aprofundar a análise. Os resultados mostram que as mídias sociais estão influenciando novas formas de contar histórias e que há um interesse significativo em histórias contadas inteiramente no formato de redes sociais.</p> Marina Krebs Vanazzi Copyright (c) 2025 Marina Krebs Vanazzi https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 39 54 10.34019/1983-8379.2025.v18.49564 MISSÃO E PROFISSÃO https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49691 <p>Este artigo aborda a atuação de Sérgio Buarque de Holanda como crítico literário na imprensa carioca, entre as décadas de 1940 e 1950. A partir da análise de artigos publicados pelo autor, o estudo busca compreender como sua produção articulou elementos da crítica literária, da história e das ciências sociais, em um contexto marcado pelo processo de especialização dessas áreas de estudo, na formação de uma concepção própria sobre a atividade crítica. A pesquisa se baseia na leitura de uma ampla quantidade de artigos publicados nos suplementos literários, privilegiando uma abordagem que destaca os sentidos atribuídos à ideia de cientificidade no campo da crítica e os deslocamentos provocados pela emergência da sociologia como forma de conhecimento heurístico. Argumenta-se que a crítica literária funcionou como espaço privilegiado de interlocução entre saberes, articulada à emergência das ciências sociais como linguagem própria no cenário intelectual. O artigo contribui, assim, para uma reflexão sobre os modos de inserção da sociologia na esfera pública e os vínculos entre literatura, imprensa e o desenvolvimento do pensamento social brasileiro.</p> Ricardo A. G. Maciel Copyright (c) 2025 Ricardo A. G. Maciel https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 55 75 10.34019/1983-8379.2025.v18.49691 O PALCO EXPANDIDO DE B. KUCINSKI https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49572 <p>Na era da cultura de massa e das mídias digitais, a função do autor se expande para além do texto, transformando-o em um performer no espaço público. Partindo dessa premissa, que se insere no debate sobre o retorno do autor, este artigo investiga a performance autoral de Bernardo Kucinski. Para o alcance dessa compreensão, discute-se o autor contemporâneo e os dispositivos de visibilidade da cultura midiática, a partir de teóricos como Lejeune (2014), Groys (2016) e Aguilar e Cámara (2017). Na sequência, observa-se a construção da figura do <em>auctor</em> B. Kucinski em sintonia com o conceito de autoralidade de Maingueneau (2010). Por fim, analisa-se <em>Os visitantes</em> (2016c), e sua estrutura autoficcional (Doubrovsky, 2014; Colonna, 2014; Klinger, 2012), cuja narrativa funciona como uma encenação do autor, da recepção crítica e dos conflitos da memória traumática. Conclui-se que Kucinski utiliza essa performance expandida para cumprir uma função ética, transformando a literatura em um palco para o debate e um instrumento contra o esquecimento das atrocidades ocorridas durante o regime ditatorial brasileiro.</p> Ane Beatriz dos Santos Duailibe Copyright (c) 2025 Ane Beatriz dos Santos Duailibe https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 76 91 10.34019/1983-8379.2025.v18.49572 VIOLÊNCIA POLÍTICA, MEIOS DE COMUNICAÇÃO E HOSPITALIDADE https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/48944 <p>Este artigo investiga a relação entre violência política, meios de comunicação e hospitalidade na literatura distópica, analisando <em>Complô contra a América</em>, de Philip Roth (2005), e <em>QualityLand</em>, de Marc-Uwe Kling (2020). Partindo das reflexões de Pedro Doria (2024) sobre a banalização da violência política, o estudo explora como os meios de comunicação estruturam conflitos ideológicos e contribuem para a formação de inimigos internos. Utilizando o conceito de hospitalidade de Derrida (1999), discute-se a transformação do acolhimento em hostilidade no romance de Roth (2005), em que o rádio funciona como ferramenta de disseminação do antissemitismo. Em <em>QualityLand</em>, a mediação da realidade pelos algoritmos ilustra como a tecnologia redefine o controle social e político na contemporaneidade. A partir de autores como McLuhan (1969), Zuboff (2021) e Bauman (1999), o artigo argumenta que a violência política não é apenas reflexo do discurso dos líderes, mas um fenômeno amplificado pelos meios que estruturam a comunicação. Por fim, questiona-se o papel dos algoritmos na intensificação da polarização e na erosão da autonomia democrática.</p> Pablo de Oliveira Pereira Humberto Fois-Braga Copyright (c) 2025 Pablo de Oliveira Pereira, Humberto Fois-Braga https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 92 107 10.34019/1983-8379.2025.v18.48944 LITERATURA E TELENOVELA https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49690 <p>Uma história pode ganhar dimensões diferentes e novos sentidos quando reescrita dentro de um novo contexto. Partindo dessa constatação, o presente trabalho tem como objetivo discutir as relações intertextuais e intermidiáticas encontradas entre o romance <em>Uma vida roubada</em> (1949), de Karel Josef Beneš, e a telenovela <em>Mulheres de Areia</em> (1993), da Ivani Ribeiro, principalmente no que concerne ao tema do duplo e seus desdobramentos, que são o fio condutor das duas narrativas. Inicialmente, propõe-se uma reflexão acerca da adaptação e da recorrência dessa temática, seguida de breve análise da relação entre a teledramaturgia brasileira e a literatura, a fim de contextualizar as análises posteriores. Utilizou-se o método de pesquisa bibliográfica e fundamentos teóricos da Literatura Comparada, buscando compreender os efeitos das semelhanças e diferenças na relação entre os textos. Como referencial teórico, utilizou-se as contribuições de Kaës (2011), Ranks (1939) e Freud (2015), para discutir o duplo e o complexo fraterno; Meyer (1996), Ricco e Vannucci (2017), Rodrigues (2018), para refletir sobre o gênero telenovela, sua influência cultural no Brasil e seus modos de produção; e Hutcheon (2009), Müller (2009) e Bourdieu (1997), para fundamentar as questões de adaptação envolvidas na relação entre literatura e telenovela.</p> Everton Alexandre Carneiro Anunciação Alana de Oliveira Freitas El Fahl Flávia Aninger de Barros Copyright (c) 2025 Everton Alexandre Carneiro Anunciação, Alana de Oliveira Freitas El Fahl, Flávia Aninger de Barros https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 108 123 10.34019/1983-8379.2025.v18.49690 AFROCENTRICIDADES https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49163 <p>O presente trabalho tem como escopo comparar a atuação do personagem <em>Louis</em> na adaptação cinematográfica na série <em>Entrevista com o Vampiro </em>(JONES, 2022) e sua primeira aparição em Rice (1991). Para tanto, analisaremos aspectos que aproximam e afastam os personagens do texto de partida e o de chegada. Fundamentamo-nos em Carvalhal (2006) , Coutinho (1994) e para basear a coleta de dados foi escolhido os pressupostos de Gil (2002) em pesquisa qualitativa, para fins de comparação entre trechos da obra e cenas do seriado de televisão. A discussão acerca da forma contraposta intersemioticamente das cenas, seguiu-se o estudo de cinema e literatura feito por Cardoso (2013); como o protagonismo negro é promovido ativamente na série, sob a ótica da posição desse indivíduo como figura sobrenatural e narrador protagonista, agora, repaginado, analisando por qual motivo houve essa troca de etnicidade - a partir de Nascimento (2009) e Dutra (2017); além das contribuições teóricas de Sardenberg (2014), Bär (2005), dentre outros. Os resultados apontam que a reconstrução do personagem faz-se fundamental na contemporaneidade, principalmente por meio visuais e literários, sendo essas esferas midiáticas importantes para identificação e construção de identidade e protagonismo da negritude. [...]</p> Allana Mayara Santos Castro Lorena Natascha Angelim Mendes Batista Thaís Fernandes Amorim Copyright (c) 2025 Allana Mayara Santos Castro, Lorena Natascha Angelim Mendes Batista, Thaís Fernandes Amorim https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 124 141 10.34019/1983-8379.2025.v18.49163 REPRESENTAÇÃO DE GÊNERO NO ROMANCE 'KIM JI-YOUNG, BORN IN 1982' E SUA ADAPTAÇÃO CINEMATOGRÁFICA https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49548 <p>Este trabalho analisa os elementos discursivos que permeiam o romance literário <em>Kim Ji-young, Born in 1982 </em>de Cho Nam-joo (2020) e sua adaptação cinematográfica (Kim, 2019). Tanto o romance quanto o filme homônimo tornaram-se símbolos das lutas sociais e dos debates contemporâneos relacionados à equidade de gênero na Coreia do Sul. Diante disso, o estudo considera que o processo de adaptação influencia escolhas discursivas e, consequentemente, a construção de sentido, enquanto concentra-se na representação das questões de gênero na sociedade sul-coreana. A fim de averiguar as abordagens e ressignificações realizadas pelas obras, conduziu-se uma pesquisa bibliográfica qualitativa, com suporte de autores como Linda Hutcheon (2006) sobre teoria da adaptação, além de Cho Hae-joang (1995, 1998), Cho Hye-young (2024) e Cho e Song (2024) acerca das estruturas sociais e culturais que sustentam o sexismo no século XXI, sobretudo nesse contexto. Assim, a análise parte da comparação entre aspectos narrativos, discursivos e estéticos presentes, associados a temas como maternidade, trabalho e saúde mental para compreender as dinâmicas de poder e identidade representados. Os resultados apontam que cada narrativa, por meio de sua própria linguagem e recursos, reforça a discussão sobre o papel e a participação da mulher nas esferas doméstica e pública.</p> Tielly dos Reis Gomes Rafael de Souza Timmermann Copyright (c) 2025 Tielly Gomes, Rafael De Souza Timmermann https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 142 161 10.34019/1983-8379.2025.v18.49548 ENTRE PALAVRA E IMAGEM https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49406 <p>Este artigo examina a adaptação cinematográfica de <em>Mrs. Dalloway</em> (Marleen Gorris, 1997) à luz das tensões entre voz interior e cena pública, propondo que o filme reconfigura o monólogo interior woolfiano em dispositivos fílmicos, como voz-<em>over</em> e <em>flashback</em>, que problematizam a mercantilização da aparência social e a performatividade de gênero. Ao traduzir o fluxo de consciência para a tela, Gorris não apenas media a interioridade de Clarissa Dalloway, mas também encena a festa como um espaço de espetáculo social no qual a identidade feminina se constitui como valor simbólico, continuamente observado e negociável. Para fundamentar a análise, mobilizamos conceitos da teoria da adaptação (Stam, 2006), da teoria do espetáculo (Debord, 2003) e dos estudos de gênero (Butler, 2003), articulando-os com abordagens históricas sobre as condições de vida e de opressão feminina no pós-Primeira Guerra. Dessa forma, demonstramos como a adaptação fílmica evidencia tanto rupturas quanto continuidades entre palavra e imagem.</p> Janaynna Cardoso Bentes Elder Kôei Itikawa Tanaka Copyright (c) 2025 Janaynna Cardoso Bentes, Elder Kôei Itikawa Tanaka https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 162 182 10.34019/1983-8379.2025.v18.49406 NARRATIVAS EM TRÂNSITO https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49563 <p>Este estudo tem por objetivo analisar como se realiza a adaptação do romance <em>Órfãos do Eldorado</em> para a narrativa fílmica homônima com foco na construção da memória e a relevância desse aspecto nos textos em questão. A obra foi escrita pelo autor amazonense Milton Hatoum e adaptada para o cinema no ano de 2015, sob a direção de Guilherme Coelho. Milton Hatoum é autor de grandes obras da literatura brasileira, sendo considerado um dos maiores e mais destacados escritores do país, cuja obra suscita inúmeros estudos de temas como a questão da memória, mas também de outros correlatos como conflitos familiares e identidade. Pensando nisso, com o intuito de compreender como é possível realizar a aproximação entre as linguagens literária e cinematográfica, firmando, desse modo, um diálogo entre essas artes distintas, este artigo está fundamentado em autores como Hutcheon (2013), Stam (2006) e Bazin (2018). Em relação à construção da memória, serão utilizados, principalmente, os pressupostos teóricos dos autores Assmann (2011), Freitas (2017), Candau (2010) e Halbwachs (1990).</p> Wellington R. Fioruci Edione Gonçalves Copyright (c) 2025 WELLINGTON FIORUCI, Edione Gonçalves https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 183 204 10.34019/1983-8379.2025.v18.49563 TAYLOR SWIFT E A ADAPTAÇÃO POÉTICA DE OBRAS LITERÁRIAS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49498 <p>O presente artigo investiga os processos de transposição intermidial entre literatura e música por meio da análise das canções <em>Safe &amp; Sound, Eyes Open</em> e <em>Carolina</em>, compostas e interpretadas por Taylor Swift para as adaptações cinematográficas de <em>Jogos Vorazes</em>, de Suzanne Collins, e <em>Um Lugar Bem Longe Daqui</em>, de Delia Owens. Parte-se do pressuposto de que tais canções não apenas acompanham os filmes como trilha sonora, mas funcionam como releituras poético-musicais das obras literárias, recriando atmosferas, vozes narrativas e emoções centrais. A pesquisa fundamenta-se nos estudos sobre as relações entre música e literatura, com ênfase em autores como Solange Oliveira e Stevan Paul Scher, para analisar de que maneira a linguagem musical incorpora elementos textuais, estabelecendo um diálogo criativo e sensível com as narrativas de origem. Dessa forma, a metodologia do artigo é de cunho qualitativo e interpretativo, fundamentando-se na análise textual comparativa entre os romances e as respectivas canções. Ao analisar as letras, foi possível concluir que as composições se configuram como formas poéticas autônomas que, além de acompanharem as adaptações cinematográficas, ampliam e aprofundam os sentidos simbólicos, afetivos e narrativos dos romances de origem.</p> Luísa de Souza Mello Copyright (c) 2025 Luísa de Souza Mello https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 205 221 10.34019/1983-8379.2025.v18.49498 QUANDO FANTASMAS DANÇAM https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49633 <p>Emily Brontë (1818-1848) em sua obra <em>O Morro dos Ventos Uivantes</em> (1847) explora a representação de sentimentos e tormentos que circundam a natureza humana. O livro serviu e ainda serve de inspiração para a realização de diversas outras obras, não se restringindo apenas ao campo literário, como é o caso da música homônima da cantora Kate Bush (1958-). Assim, tendo em vista o papel desempenhado pela personagem e também a possibilidade de criação e recriação da arte, esse trabalho tem como objetivo analisar a percepção e representação das personagens Catherine e Heathcliff, criadas por Brontë, sob a ótica da produção musical e audiovisual, contando com dois videoclipes de Bush. Para isso, foi necessário recorrer à visão acerca da personagem estabelecida por Candido (2007), aos conceitos de Adaptação (Hutcheon, 2013) e Intermidialidade (Clüver, 2011), além de seguir uma metodologia de análise para videoclipes proposta por Rodríguez-López e Aguaded-Gómez (2013). Dentre os aspectos observados, destaca-se que cada obra possui o seu foco de representação, em especial a troca de ponto de vista ocorrida entre as personagens. Além disso, Bush cria novas concepções, reafirmando a capacidade das artes de se ressignificar e atualizar os seus sentidos.</p> Maria Beatriz Melo Rodrigues Pedro Afonso Barth Copyright (c) 2025 Maria Beatriz Melo Rodrigues, Pedro Afonso Barth https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 222 241 10.34019/1983-8379.2025.v18.49633 RECRIANDO UM MONSTRO https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49561 <p>Este artigo analisa como a Criatura de Frankenstein funciona como um construto social da monstruosidade, espelhando os medos de cada época. Exploramos a hipótese por meio da análise comparativa de duas adaptações dos anos 1990: o filme <em>Frankenstein de Mary Shelley</em> (1994), de Kenneth Branagh, e o mangá <em>Frankenstein</em> (1994-1998), de Junji Ito. Discute-se a relevância do romance de Shelley para o horror e sua presença na cultura pop, para então refletirmos sobre a construção da figura monstruosa por meio da chave da "anormalidade", conforme Tucherman (2012), Cohen (2007) e Foucault (2001). A versão de Branagh é examinada por sua estética operística e leitura <em>queer</em>, refletindo ansiedades ocidentais. A de Ito é analisada a partir de conceitos da estética japonesa, como a valorização da sombra (Tanizaki, 2017) e a noção de <em>Ma</em> (Okano, 2013), que ressignificam o horror Gótico. As releituras preservam a essência subversiva e contra-hegemônica da obra original, contrapostas ao <em>status quo</em> Iluminista, revelando como diferentes culturas "montam" seus monstros para negociar os limites do humano, comprovando a adaptabilidade do gótico (Botting, 2024).</p> Luiz Felipe Salviano Bernardo Demaria Ignácio Brum Copyright (c) 2025 Luiz Felipe Salviano, Bernardo Demaria Ignácio Brum https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 242 263 10.34019/1983-8379.2025.v18.49561 MUNDOS DE HISTÓRIA EXPANDIDOS E ARQUIVOS COMO POLISSISTEMAS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49661 <p>Este trabalho investiga, a partir do Universo Marvel em suas publicações em quadrinhos e cinematográfica, as intersecções e diferenças entre os conceitos de arquivo (Derecho, 2006) e mundos de história expandidos (Gomes; Indrusiak, 2021), bem como a pertinência de seu entendimento como polissistemas, tal qual postulado por Itamar Even-Zohar (1978). O texto será dividido em quatro seções. A primeira se propõe a explicitar os conceitos básicos do artigo: “mundos de história expandidos”, “arquivo” e “polissistemas”. Na sequência, constará uma breve apresentação dos mundos de história a serem analisados, os universos Marvel nos quadrinhos (HQs) e no cinema (MCU). Em terceiro lugar, discutiremos como a hipótese dos polissistemas pode ser aplicada a esses objetos. Por fim, será levantada uma outra forma de integração desses mundos de história: a de que, quando consumidos à luz da existência de multiversos, neles mesmos tematizados, pode-se integrar o que antes seria visto como um arquivo, como um só mundo de história. De forma conclusiva, argumentamos que entender mundos de história expandidos e arquivos como polissistemas permite detalhar melhor o funcionamento de dois fenômenos narrativos que são fruto de intrincadas relações entre diversos produtos de mídia, contribuindo assim para o campo da narratologia.</p> Arthur Maia Baby Gomes Pedro Oliveira Galvão de Arruda Victoria Mello Veríssimo da Fonseca Copyright (c) 2025 Arthur Maia Baby Gomes, Pedro Oliveira Galvão de Arruda, Victoria Mello Veríssimo da Fonseca https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 264 282 10.34019/1983-8379.2025.v18.49661 'MORTE E VIDA SEVERINA' EM QUADRINHOS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49683 <p>No âmbito da Indústria Cultural e da cultura de massas, os processos que envolvem a adaptação de clássicos literários se configuram como uma importante forma de disseminação e democratização ao acesso da dita Literatura com “L” maiúsculo, conforme aponta Márcia Abreu (2006). Nesse sentido, o presente artigo tem como objetivo central analisar duas adaptações quadrinísticas da obra poética “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. Percebemos, no decorrer da análise, que a primeira HQ, de Miguel Falcão (2009), constrói um enredo muito próximo da obra de João Cabral, com transcrições do texto escrito e ilustrações em preto e branco, com um forte apelo gráfico voltado sobretudo à construção simbólica da Morte Severina. A segunda, de Odyr Bernardi (2024), é um pouco mais livre do poema no âmbito textual e agrega ilustrações coloridas, que se aproximam da pintura através da técnica de aquarela, trazendo um contexto que ressignifica a tradicional morte Severina: a pandemia do COVID-19. Ambas, a partir das linguagens dos quadrinhos, emancipam a palavra escrita e constroem sentidos mediante a mescla entre texto verbal e visual, promovendo narrativas sensíveis e que partilham entre si aspectos fundamentais da obra adaptada: o caminhar do sertanejo retirante.</p> Bruno Santos Melo Beatriz Araújo Costa Copyright (c) 2025 Bruno Santos Melo, Beatriz Araújo Costa https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 283 304 10.34019/1983-8379.2025.v18.49683 DO TEXTO À IMAGEM https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49532 <p>Este artigo é um recorte de dissertação de mestrado e propõe uma reflexão sobre as adaptações em quadrinhos da obra <em>Dom Casmurro</em>, de Machado de Assis, explorando como a transposição do texto verbal para o código verbo-visual atualiza o romance e amplia seus modos de recepção. A pesquisa adota uma metodologia qualitativa e interpretativa, com base em uma análise intersemiótica comparativa entre o romance machadiano e duas adaptações em quadrinhos, com foco nos elementos narrativos centrais — como o ponto de vista do narrador e a ambiguidade da personagem Capitu. Fundamentado nas teorias da adaptação de Linda Hutcheon (2013) e nos conceitos de intertextualidade de Julia Kristeva (1974) e Umberto Eco (1989), o estudo entende a adaptação como um diálogo criativo entre diferentes mídias e contextos. Argumenta-se que as HQs não apenas aproximam o clássico de novos leitores, mas também oferecem uma leitura crítica e estética que preserva a complexidade da obra original. Assim, <em>Dom Casmurro</em> reafirma-se como um clássico vivo, capaz de se renovar e ressoar em diversas formas e suportes, mantendo sua potência narrativa e o enigma que há mais de um século instiga leitores: Capitu traiu ou não?</p> Marcia Costa Meyer Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira Copyright (c) 2025 Marcia Costa Meyer, Níncia Cecília Ribas Borges Teixeira https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 305 328 10.34019/1983-8379.2025.v18.49532 ENTRE AS MARGENS E AS DÉCADAS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/48993 <p>As histórias em quadrinhos, que ganharam destaque no início do século XX, atingiram seu apogeu por volta de 1940, período conhecido como a Era de Ouro dos quadrinhos norte-americanos. O reconhecimento dos quadrinhos <em>underground </em>ocorreu com a publicação da revista <em>Zap Comix</em>, criada por Robert Crumb. O percurso histórico das HQs, portanto, esteve marcado por processos de marginalização, nos quais surgiram os primeiros coletivos femininos, além das narrativas gráficas que conquistaram relevância acadêmica e literária com obras que exploram temas fracturantes, relatos autobiográficos e processos de amadurecimento. Nesse contexto, este trabalho tem como objeto de análise a HQ <em>O Essencial de Perigosas Sapatas </em>(2021) e a finalidade de analisar a representação das personagens lésbicas Mo e Lois. A fundamentação teórica abrange os conceitos de narrativa gráfica (Eisner, 2005) e o percurso histórico das HQs (García, 2012). Quanto ao estudo temático, é centrado no <em>continuum </em>lésbico e existência lésbica (Rich, 2010) e quadrinhos lésbicos (Bauer, 2015). Através da leitura interpretativa, compreendemos a trajetória de evolução das personagens e destacamos suas singularidades enquanto mulheres lésbicas, em que alguns estereótipos se confirmam e outros são rompidos. Para tanto, as discussões realizadas podem contribuir para ampliar o debate sobre quadrinhos, gênero e sexualidade.</p> Júlia de Brito Tássia Tavares de Oliveira Copyright (c) 2025 Júlia Juliêta Silva de Brito, Tássia Tavares de Oliveira https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 329 346 10.34019/1983-8379.2025.v18.48993 'I HAVE NO MOUTH AND I MUST SCREAM' https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49510 <p>Este artigo examina os processos intersistêmicos e de transcodificação do conto “I Have No Mouth and I Must Scream” (1967), de Harlan Ellison, lançado também em quadrinhos, em 1995, e em jogo eletrônico, em 1995. Ancorado na teoria dos polissistemas de cultura (Even-Zohar), midiologia (Debray) e transcodificação (Manovich), o estudo demonstra como a interferência entre sistemas culturais distintos (literatura impressa, quadrinhos e jogos) redefine a obra. A HQ expande visualmente o universo distópico e o horror psicológico do conto através de sua linguagem visual. Já o jogo, ao exigir interatividade e agência do jogador —– repertório institucionalizado do sistema de jogos —–, subverte radicalmente a narrativa: desenvolve os passados dos personagens, introduz temas morais e múltiplos finais, incluindo um desfecho positivo inexistente no conto, incorporando novos elementos através de processos transcodificação. A análise evidencia como diferentes mídias ressignificam a mensagem, impondo transformações sistêmicas, enquanto a coexistência das versões forma um ambiente que realimenta o polissistema cultural. O caso ilustra a dinâmica intersistêmica, onde repertórios específicos remodelam a obra ao transcodificá-la.</p> Bianca Francischini Lisita André Pithon Gabriel Henrique Gomes Ceschi Copyright (c) 2025 Bianca Francischini Lisita, André Pithon, Gabriel Henrique Gomes Ceschi https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 347 366 10.34019/1983-8379.2025.v18.49510 'DEATH STRANDING' https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49652 <p>Este artigo analisa <em>Death Stranding</em> (2019), jogo de Hideo Kojima, como uma narrativa digital que proporciona uma experiência imersiva e única ao jogador. Ao proporcionar uma nova experiência de jogos de guerra, segundo o próprio Kojima, <em>Death Stranding</em> explora a interação do jogador com o protagonista Sam Bridges, enfatizando liberdade, conectividade e imersão em um mundo fictício pós-apocalíptico. A pesquisa utiliza teorias de narrativa e imersão, fundamentando-se em autores como Umberto Eco, Janet Murray e Marie-Laure Ryan. O jogo combina mecânicas interativas, como a agência limitada, com uma narrativa estruturada em capítulos, permitindo que o jogador influencie parcialmente os eventos sem perder a linearidade da história principal. O conceito de conectividade é central [...]. Além disso, <em>Death Stranding</em> reflete sobre o impacto humano no planeta [...]. A ambientação, as mecânicas detalhadas e o ritmo contemplativo reforçam a ideia de imersão total, levando o jogador a se adaptar às dinâmicas do jogo para apreciar plenamente sua narrativa. Conclui-se que <em>Death Stranding</em> busca proporcionar uma experiência diferente como mídia, demonstrando que a interação e a conectividade experimentadas no jogo propiciam a reflexão acerca de colaboração e sobrevivência em tempos de crise.</p> Sabrina Ramos Gomes João Paulo Rodrigues dos Santos Copyright (c) 2025 Sabrina Ramos Gomes, João Paulo Rodrigues dos Santos https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 367 387 10.34019/1983-8379.2025.v18.49652 LETRAMENTO DIGITAL EM VIDEOGAMES NARRATIVOS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49404 <p>Este artigo objetiva investigar propriedades do letramento digital construído em torno de videogames narrativos, partindo da hipótese de que duas propriedades específicas, a espacialidade e a procedimentalidade, são essenciais para o desenvolvimento de uma compreensão acadêmica das narrativas digitais e das novas práticas de letramento criadas por aqueles que as produzem e as recepcionam. Entendemos o conceito de “letramento” a partir da evolução histórica proporcionada pelas contribuições de Street (2001), Soares (2002) e Lemke (2010), ao passo que nossa compreensão dos conceitos de “espacialidade” e “procedimentalidade”, tal qual se desenvolvem na área de <em>game studies</em>, se embasa nos escritos de Aarseth (2007), Jenkins (2004), Murray (2003), Bogost (2005, 2008) e Mateas (2005). De modo a argumentar a favor da centralidade ocupada pelos dois conceitos nas práticas de letramento relacionadas a narrativas digitais, analisamos o jogo <em>Unpacking</em> (Witch Beam, 2021), explicitando como seu desenvolvimento narrativo é configurado e interpretado a partir dessas duas propriedades. Foi possível concluir que os conceitos de espacialidade e procedimentalidade são capazes de explicar algumas das novas formas de significar textualmente eventos, transformações e a caracterização de personagens em videogames narrativos, e parecem ocupar uma posição central na articulação dos novos letramentos digitais.</p> Natalia Corbello Copyright (c) 2025 Natalia Corbello https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 388 403 10.34019/1983-8379.2025.v18.49404 NARRATIVAS MULTIMODAIS EM LIBRAS https://periodicos.ufjf.br/index.php/darandina/article/view/49583 <p>O artigo examina o papel da literatura infantil em Libras como ferramenta para o crescimento de habilidades de leitura entre crianças surdas. Pela análise de histórias multimodais que unem partes visuais, ͏gestuais e textuais, discute-se como estas obras ajudam ͏na inclusão linguística e cultural, respeitando as particularidades da comunidade ͏surda. Pensando que a obtenção da língua escrita por crianças surdas tem desafios específicos, a livraria͏ em Libras surge como um recurso de ensino͏ potente, capaz de mediar o acesso à leitura͏ ͏por meio da Línguas de Sinais. O estudo também fala ͏sobre ideias da͏ edição tecnológica que aumentaram a criação e o movimento dos͏ livros acessíveis, contribuindo para a͏ formação de leitores críticos e independentes. Pensando sobre ͏os ͏afetos͏ dessas histórias na criação da identidade surda e no apoio à educação bilingue, o artigo͏ mostra caminhos para uma prática literária mais inclusiva e ͏atenta ͏às muitas formas de se expressar.</p> Taynan Alécio da Silva Giovana Cristina de Campos Bezerra João Paulo Francisco Azevedo Copyright (c) 2025 Taynan Alécio da Silva, Giovana Cristina de Campos Bezerra, João Paulo Francisco Azevedo https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2025-10-01 2025-10-01 18 2 404 419 10.34019/1983-8379.2025.v18.49583