Publicado 2026-05-13
Palavras-chave
- Prova imagética,
- imputação jurídica,
- tutela ambiental,
- sensoriamento remoto,
- Amazônia
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Resumo
Este artigo investiga em que medida a prova imagética pode ser considerada instrumento suficiente para a tutela ambiental, especialmente em contextos de estatalidade limitada, nos quais a atuação direta do Estado se mostra restrita. O objetivo consiste em analisar criticamente os limites e as potencialidades do uso de imagens de satélite e dados geoespaciais na construção da prova judicial em matéria ambiental. Adota-se abordagem qualitativa, com método dedutivo, articulando revisão bibliográfica no campo da teoria da prova e do Direito Ambiental com análise empírica de estudo de caso no âmbito da Justiça Federal. O marco teórico fundamenta-se especialmente na teoria contemporânea da prova, com destaque para Taruffo e Ferrer Beltrán, bem como em abordagens sociojurídicas sobre governança em áreas de estatalidade limitada e no conceito de Environmental Rule of Law. Os resultados indicam que a prova baseada em imagem desempenha papel estruturante na demonstração da materialidade do dano ambiental, ao permitir a identificação e quantificação de alterações territoriais em larga escala. Entretanto, evidencia-se que sua utilização não é autossuficiente para a imputação jurídica, exigindo articulação com outros elementos probatórios e mecanismos institucionais de validação. Portanto, pode-se concluir que a prova imagética integra um ecossistema probatório mais amplo, no qual sua eficácia depende da adoção de critérios de racionalidade, transparência e controle, de modo a compatibilizar a eficiência na tutela ambiental com as garantias processuais e a legitimidade das decisões judiciais.
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