A E-Economia e suas Empresas-Plataforma: modus operandi e precarização do mercado de trabalho no setor de turismo

  • Ana Claudia Moreira Cardoso Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Marcela Costa Bifano Oliveira Universidad Autónoma de Guadalajara - CUC

Resumo

A economia digital abrange, cada vez mais, dimensões da vida cotidiana e setores da economia. Neste contexto, este artigo teórico se propõe a discutir as diversas plataformas digitais criadas por esta nova configuração da economia, analisando o que há em comum em grande parte delas – a geração de valor baseada na produção de dados pelos usuários –, mas também os elementos que as diferenciam. Neste caso, são analisadas as plataformas de intermediação, da share economy e da gig economy, dando maior destaque, neste segundo grupo, às empresas-plataforma de trabalho por demanda. Posteriormente, o foco recai sobre o setor turístico, onde são identificadas algumas das novas tecnologias e das plataformas digitais que estão sendo criadas e incorporadas pelo setor e seus impactos no mercado de trabalho.  Para tal, utilizamos informações e dados fornecidos por instituições como ETUI, OIT, WTTC, Banco Mundial, LAMFO/UnB, IPEA e IBGE além daquelas contidas nos termos e condições de algumas plataformas. Inicialmente, a hipótese era de que o mercado de trabalho no setor de turismo estaria sofrendo impactos apenas em função da entrada das empresas-plataforma de trabalho por demanda (gig economy) no segmento hoteleiro, como a Brigad. Entretanto, a pesquisa revelou que a situação é muito mais grave. Por um lado, dentre as plataformas da gig economy, além aquelas específicas do setor de hotelaria, também as de entrega (iFood, Uber Eats, Rappi) e de transporte (Uber e 99) estão contribuindo para a precarização dos empregos no setor. Por outro lado, as da share economy, a exemplo do Airbnb, assim como as de intermediação (entre elas a Decolar e a Trivago) também estão impactando de forma negativa o mercado de trabalho seja no que se refere à quantidade de empregos destruídos como a falta de qualidade daqueles poucos que são criados. Assim, podemos dizer que a entrada dessas plataformas no setor está gerando uma onda de precarização laboral num mercado de trabalho já marcado por condições precárias.

Biografia do Autor

Ana Claudia Moreira Cardoso, Universidade Federal de Juiz de Fora

Pós-doutorado pelo Centre de Recherche Sociologique et Politique de Paris – CRESPPA (2013); pós-doutorado pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília – UNB (2011), doutorado em Sociologia (co-tutela) pela Universidade de São Paulo - USP e Universidade de Paris 8 (2007), mestrado em Ciência Política pela USP (1998) e graduação em Ciência Sociais pela USP (1992). Professora visitante no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais na Universidade Federal de Juiz de Fora. CV: http://lattes.cnpq.br/3898149422199355 e https://orcid.org/0000-0003-3279-9411  [ anacmc2@hotmail.com ]

Marcela Costa Bifano Oliveira, Universidad Autónoma de Guadalajara - CUC

Doctaranda en Ciencias para el Desarrollo, la Sustentabilidad y el Turismo, Universidad Autónoma de Guadalajara - CUC. Mestranda em Ciências Econômicas e Sociais pela Universidad Autónoma de Sinaloa, México. Bacharela em Turismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Membro do Observatório Econômico e Social do Turismo/OEST) y do Grupo de Pesquisa Conhecimento, Organização e Turismo/COGITO). Experiencia na área de Turismo, políticas públicas, desenvolvimento. 

 
Publicado
2020-09-02