v. 9 n. 2 (2025): Dossiê: Transição Energética Justa, Resistências Populares e Responsabilização de Empresas Transnacionais
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Tecnociência e a produção da irresponsabilização no desastre da Braskem

Camila Prates
UFAL
Wendell ficher teixeira assis
Ufal
Juliane Veríssimo Albuquerque Lima
UFPE

Publicado 2026-05-13

Palavras-chave

  • Desastre-crime,
  • Tecnociência,
  • Responsabilização da Braskem

Como Citar

Prates, C., ficher teixeira assis, W., & Veríssimo Albuquerque Lima, J. . (2026). Tecnociência e a produção da irresponsabilização no desastre da Braskem. Homa Publica - Revista Internacional De Derechos Humanos Y Empresas, 9(2), e–153. Recuperado de https://periodicos.ufjf.br/index.php/HOMA/article/view/52062

Resumo

Este artigo tem dois objetivos: o primeiro é demonstrar que o chamado “desastre”
associado à subsidência do solo em Maceió deve ser compreendido como um
fenômeno tecnocientífico, e não como ocorrência meramente “natural”, e o
segundo é evidenciar os arranjos institucionais de blindagem da responsabilização
da mineradora Braskem. Dialogamos com os Estudos Sociais da Ciência e
Tecnologia (ESCT), tomando a coprodução como chave para analisar a fabricação
dos riscos oficiais e seus efeitos sobre a responsabilização da empresa.
Metodologicamente, o estudo se apoia em pesquisa realizada entre 2022 e 2024,
combinando análise documental e pesquisa empírica nas áreas situadas nas
bordas do mapa de risco no bairro Bebedouro, observação direta em eventos e
entrevistas com lideranças e moradores(as). Como resultado, descrevemos um
alinhamento estrutural entre a ciência mobilizada pela empresa e pelos acordos
extrajudiciais, que deslocam a responsabilidade da Braskem de causadora do
dano para a gestão dos mesmos, situando-os em um enquadramento tecnicista e
esvaziado de elementos sociais

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