Vol. 9 Núm. 2 (2025): Dossier: Transición Energética Justa, Resistencias Populares y Responsabilización de Empresas Transnacionales
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Participación Indígena en la COP30: : Fricciones en la Gobernanza Climática

Alessandra Prates Barreras
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Veronica Korber Gonçalves
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Tchella Fernandes Maso
Universidade Federal de Roraima

Publicado 2026-05-13

Palabras clave

  • diplomacia,
  • povos indígenas,
  • mudança do clima,
  • cosmopolítica,
  • governança do clima

Cómo citar

Prates Barreras, A., Korber Gonçalves, V., & Fernandes Maso, T. (2026). Participación Indígena en la COP30: : Fricciones en la Gobernanza Climática. Homa Publica - Revista Internacional De Derechos Humanos Y Empresas, 9(2), e–156. Recuperado a partir de https://periodicos.ufjf.br/index.php/HOMA/article/view/52227

Resumen

O artigo parte da experiência do Programa Kuntari Katu, para refletir sobre o processo de governança climática no contexto da participação indigena na COP30. Desenvolvido em parceria entre o Ministério dos Povos Indígenas e o Ministério de Relações Exteriores, o Programa forma lideranças indígenas para acompanhar as negociações climáticas internacionais. Investigamos as tensões produzidas por sua inserção em um espaço historicamente estruturado por normas rígidas, linguagem técnico-burocrática, centralidade estatal e hierarquização de saberes. Nesse ambiente, a presença de sujeitos cujas experiências cosmopolíticas escapam à lógica dominante não se dá de modo harmonioso. O que emerge são espaços de fricção, nos termos de Anna Tsing: encontros marcados por tradução, negociação e também por incompreensão. A participação indígena é mediada por protocolos institucionais que simultaneamente viabilizam e limitam sua atuação. A metodologia é qualitativa e analítico-crítica, combinando análise documental, participação no processo formativo e entrevistas. O argumento é que a participação indígena é ampliada a partir de experiências como o Kuntari Katu, mas permanece condicionada por limites estruturais da soberania estatal e da governança climática consensual. Ainda assim, a presença indígena nas salas de negociação produz deslocamentos. Participar transforma as próprias lideranças, que passam a operar em registros múltiplos; transforma também o espaço negociador, ao introduzir outras narrativas sobre território, vida e responsabilidade; e afeta interlocutores estatais, ainda que de forma sutil. Essas transformações são parciais e situadas. A experiência indígena na COP 30 revela menos uma ruptura e mais um campo instável de disputas, no qual inclusão e contenção caminham juntas.

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