Transição Energéticas na América Latina entre Capital, Corporações e Insurgências
Published 2026-05-13
Keywords
- transição energética;,
- extrativismo;,
- corporações;,
- colonialismo verde
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Copyright (c) 2026 Homa Publica - Revista Internacional de Derechos Humanos y Empresas

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Abstract
O artigo analisa criticamente a transição energética na América Latina, argumentando que o modelo hegemônico de descarbonização, orientado por corporações transnacionais, instituições financeiras e mercados verdes, tem reproduzido dinâmicas históricas de dependência, extrativismo e desigualdade socioambiental. Sob o chamado “consenso da descarbonização”, a substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis mantém a lógica de acumulação capitalista, intensificando a exploração de minerais estratégicos, a financeirização da natureza e a expansão de novas fronteiras extrativas no Sul Global. Esse processo concentra benefícios econômicos no Norte Global e transfere custos sociais e ambientais para territórios latino-americanos, afetando povos indígenas, comunidades tradicionais e trabalhadores, além de aprofundar conflitos territoriais e a pobreza energética. Em contraposição à transição corporativa, tecnocrática e neocolonial, o texto defende a construção de uma transição justa, ecológica e popular, baseada na democratização da energia como direito humano, na responsabilização das corporações, na redução do consumo energético, na participação social e na superação do modelo extrativista. Assim, sustenta-se que a crise climática exige não apenas mudanças tecnológicas, mas transformações estruturais nas formas de produção, consumo e organização da vida social.
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