Transição Energética e os Novos Cercamentos: O QUE O CONSENSO DAS GRANDES OBRAS HÍDRICAS PODE NOS ENSINAR SOBRE O “CONSENSO DA DESCARBONIZAÇÃO”?
Publicado 2026-05-13
Palavras-chave
- novos cercamentos,
- conflitos territoriais,
- grandes projetos de desenvolvimento,
- transição energética
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Resumo
O objetivo do presente artigo é revisitar e atualizar criticamente alguns achados da pesquisa de doutorado intitulada “Dos cantos de Acauã à dialética da Asa Branca e do Assum-Preto: cercamentos, conflitos e resistências no novo caminho das águas – Paraíba, Brasil”. As reflexões aqui presentes foram realizadas no escopo das atividades do Grupo de Pesquisa “Direitos Humanos, decolonialidades e movimentos" (CNPQ/UFPB). A tese, que tratou sobre conflitos territoriais no processo de implantação de obras hídricas no Estado da Paraíba (2016-2020), fornece elementos para complexificar o papel dos grandes projetos de desenvolvimento (Alentejano & Tavares, 2019) e a produção de consensos sob a justificativa de “combater a seca” ou de “levar água à população”. Identificamos semelhanças entre o processo estudado na tese quando pensamos no cenário das transições energéticas, que vem repetindo lógicas coloniais e capitalistas. Neste sentido, o artigo buscará realizar uma revisão teórica e bibliográfica sobre o tema, apresentando alguns trechos de entrevistas produzidas nos trabalhos de campo da tese, a fim de apontar alguns aprendizados acerca da gestão dos recursos hídricos e sobre os regimes de desapropriação (Levien, 2014) na engrenagem dos novos cercamentos (Morais & Coelho, 2024) que podem ser úteis para pesquisas interdisciplinares comprometidas com a crítica ao “consenso da descarbonização” (Bringel & Svampa, 2023) e nas disputas sobre os rumos da transição energética no Brasil e na América Latina.
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