Publicado 2026-05-13
Palavras-chave
- ecologia política, mineração de ferro, mineração de lítio, Médio Espinhaço, Araçuaí
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Resumo
Propomos neste artigo uma comparação entre duas atividades minerárias em Minas Gerais: a de ferro, no Médio Espinhaço, e a de lítio, em Araçuaí. Embora se apresente como “nova”, sustentável e necessária para a transição energética, sustentamos que a mineração de lítio carrega os mesmos vícios da mineração de ferro, quais sejam, a violação de direitos humanos e territoriais, bem como a destruição ambiental. Argumentamos que essa semelhança não pode ser compreendida independentemente da condição dependente e primário-exportadora brasileira e fora do contexto neoextrativista característico de vários países do Sul Global. A partir da abordagem da assessoria jurídica popular e das proposições teórico-metodológicas da ecologia política, identificamos, além dos efeitos deletérios da mineração, também as mobilizações coletivas de resistência ao avanço das atividades minerárias. Concluímos que dessas mobilizações emergem alternativas ao desenvolvimentismo, baseadas na autodeterminação territorial, na preservação ambiental, na efetiva participação popular e na constituição de territórios livres de mineração.
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