Ascensão e declínio da Nova República (1988-2018)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1980-8518.2020.v20.32099

Palavras-chave:

Nova República (1988-2018), Constituição Federal de 1988, Brasil, Economia brasileira, Classes sociais no Brasil

Resumo

Partindo da hipótese que o esgotamento da Nova República ganha sua máxima expressão fatual com a eleição de Jair Bolsonaro, esse artigo procura, a partir da evidenciação dos três momentos decisivos da nossa história recente, argumentar como as tentativas de resolução do processo de acumulação do capital no Brasil, por meio da adoção de modelos econômicos específicos, repercutiram na pactuação – sempre temporária e instável – entre as classes, marcando as experimentações político-institucionais da Nova República, que não apenas não trouxeram solução econômica para o truncado desenvolvimento capitalista brasileiro, como tampouco permitiram avançar rumo a uma verdadeira democracia social. Finaliza com a conclusão de que este particular pacto entre classes, que tem na Constituição Federal de 1988 seu mais expressivo paradigma, está social e historicamente superado no Brasil.

Biografia do Autor

Alexandre Aranha Arbia, UFJF

Doutor em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professor do Departamento de Fundamentos do Serviço Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. Professor Colaborador do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Juiz de Fora. Coordenador do grupo de pesquisa (CNPq) dýnamis – Grupo de Estudos de Teoria Social e Crítica Economia Política.

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Publicado

2020-11-04

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