Silêncio como linguagem em A resistência, de Julián Fuks
DOI:
https://doi.org/10.34019/1982-0836.2026.v30.51685Palabras clave:
Julián Fuks, resistência, silêncio, memória, irmãosResumen
Este trabalho tem como objetivo analisar um dos triunfos do romance A resistência (2015), de Julián Fuks: sua capacidade de condensar, em poucas palavras, a complexidade das relações familiares envoltas em silêncio e reféns de uma memória fragmentada. Mais precisamente, busca refletir sobre como a relação entre os dois irmãos — o irmão-narrador, Sebastián, e seu irmão adotivo, que não é nomeado na obra — é construída por meio do silêncio e das lacunas que nenhum deles consegue preencher. Esse silêncio permeia suas vidas, criando uma série de não ditos que acabam por distanciá-los cada vez mais, enquanto as lacunas da memória, que surgem no romance como distorção e transfiguração, dificultam ainda mais o narrador em seu objetivo principal: entender esse irmão adotivo e recuperar uma relação, certamente fragilizada, que existia entre eles. Busca-se também analisar como a “resistência” do título do romance relaciona-se com a resistência do irmão adotivo em relação à sua família e com a resistência do narrador-personagem em lidar com suas memórias e sentimentos.
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