Eneias a nordeste de Cartago: a poesia latina traduzida para o cordel

Aeneas at the northeast of Carthage: Latin poetry translated into the cordel

Palavras-chave: tradução poética, hexâmetro datílico, redondilha maior, literatura de cordel, Virgílio

Resumo

O presente artigo discute a possibilidade de acomodar a tradução de hexâmetros datílicos a redondilhas maiores como forma de lidar com as características formais do metro latino, particularmente a cesura. Serão revistos alguns tratamentos que esse metro tem recebido na versão da poesia clássica para o português e serão apresentados os critérios com os quais sugerimos as redondilhas maiores como formato possível para a tradução dos hexâmetros. Em seguida, apresenta-se o resultado da aplicação desse modelo de tradução a passagens do canto I da Eneida, em que não somente a redondilha maior é o metro escolhido, mas também se recorre a septilhas, estrofes de sete versos, no estilo adotado pela literatura de cordel. Finalmente serão apontados os ganhos percebidos com a adoção dessa estrutura.

Referências

ALBUQUERQUE, M. E. B. C. de. Literatura Popular de Cordel: dos ciclos temáticos à classificação bibliográfica. Tese de Doutorado. João Pessoa: UFPB, 2011.

ALVAREZ, B. B. Traduzindo Plauto em verso: o prólogo de Poenulus. in: Paganine, C. G. e Hanes, V. Tradução e Criação: entrelaçamentos. Campinas: Pontes, 2019.

CAMPOS, H. A arte no horizonte do provável. São Paulo: Perspectiva, 1969.

CARVALHO, R. Metamorfoses em tradução. Relatório de pós-doutoramento. São Paulo: FFLCH/USP, 2010.

DEZOTTI, J. D. O epigrama latino e sua expressão vernácula. Dissertação de mestrado. São Paulo: FFLCH/USP, 1990.

GONÇALVES, R. T. Tradução e ritmo: rêver le vers de Lucrécio. Revista Morus. Campinas, v. 11, n. 1, p. 181-197, 2016.

LIMA, S. T. Obras-Primas Universais em Cordel. Mossoró: Queima-Bucha, 2009.

MOLINA, J. S. Los hexámetros castellanos y en particular los de Rubén Darío. Santiago: Prensas de Universidad de Chile, 1935.

OLIVA NETO, J. A.; NOGUEIRA, E. 2013 O hexâmetro dactílico vernáculo antes de Carlos Alberto Nunes. Scientia Traductionis, Florianópolis, n. 13, p. 295-311, 2013.

RESENDE, G. Liuro das obras de Garcia de Reesende. Évora: em casa de André de Burgos, 1554.

SNELL-HORNBY, M. A “estrangeirização”de Venuti: o legado de Friedrich Schleiermacher aos Estudos da Tradução? Pandaemonium Germanicum. São Paulo, v. 15, n. 19, p. 185-212, julho de 2012. tradução de Marcelo Moreira.

VERGILIUS MARO, P. Aeneis. Recensuit atque apparatu critico instruxit Gian Biagio Conte. Editio altera. Berlin: De Gruyter, 2019.

VIRGÍLIO. Eneida. Traduzida em verso por João Franco Barreto. Dois tomos. Lisboa: Typografia Rollandiana, 1808.

________. Geórgicas; Eneida. traduções de António Feliciano de Castilho e Manuel Odorico Mendes. São Paulo: Jackson, 1960.

VIRGILIO. Virgilio Brazileiro, ou traducção do poeta latino por Manuel Odorico Mendes. Paris: Remquet, 1858.

WEST, M. Greek metre. Oxford: Clarendon Press, 1982.

Publicado
2019-12-11