Um diálogo entre o principado de Saul e o príncipe de Maquiavel
DOI:
https://doi.org/10.34019/1982-0836.2026.v30.52148Palavras-chave:
Literatura Comparada, Saul, Maquiavel, Principado, Narrativa BíblicaResumo
Ao longo do tempo, grande parte dos estudiosos da Bíblia Hebraica tem afirmado que o principal motivo da queda do reinado de Saul foi sua desobediência (1Sm 13:13–14). Contudo, até o fatídico discurso do profeta Samuel em Gilgal, após claros momentos de desobediência, Saul ainda reinava. Saul havia sido incumbido da missão de livrar Israel de seus inimigos (1Sm 9:16) e para tamanha façanha, deveria estabelecer um principado constante de guerra e sangue. Ao olharmos para a literatura moderna, um dos livros que pode dialogar com a mentalidade do exercício do poder político e a manutenção do Estado é a obra de Nicolau Maquiavel, O Príncipe. O livro descreve os métodos que o príncipe pode e deve utilizar para perpetuar-se no poder, em busca da sua própria glória e do seu reinado. Desse modo, o presente estudo, por meio da literatura comparada, ousa propor um diálogo intertextual entre a narrativa bíblica do principado de Saul em Israel com a instigante obra política, O Príncipe. Para tanto, mobilizou-se retrospectivamente as categorias maquiavélicas de liberalidade e parcimônia, crueldade e piedade, e a honra da palavra dada, para interrogar a trajetória do monarca bíblico. Nesse exercício, suspende-se o contexto histórico estrito para iluminar as dinâmicas universais de poder e liderança.
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