Ressignificando o colonialismo pelas mãos de Adriana Varejão e Henrietta Rose-Innes:
descolonizando porcelana e escrita; herança e entranhas
DOI:
https://doi.org/10.34019/1982-0836.2025.v29.50382Palabras clave:
Porcelain. Violência colonial. Representações. Estudos pós-coloniais.Resumen
Ao considerar a herança colonial presente na arte produzida em ex-colônias europeias, como é o caso da África do Sul e do Brasil, este texto apresenta um cotejo entre o conto “Porcelain” (2012), da autora sul-africana Henrietta Rose-Innes, e as obras “Autorretratos coloniais” (1993), “Pele tatuada à moda de azulejaria” (1995-1996), e “Azulejaria ‘De Tapete’ em Carne Viva” (1999), da artista plástica brasileira Adriana Varejão, por considerarmos essas produções como representativas de questões de agência que ressignificam a herança colonial. Em relação ao aporte teórico, partimos de pressupostos de Aimé Césaire (2000), e sua crítica à necessidade de as nações colonizadoras subjugarem os povos colonizados, da posição de Frantz Fanon (2022), de que é preciso ressignificar a herança colonial pela ação, e de observações de Ailton Krenak (2019), em relação ao impacto da ação humana no meio ambiente e, consequentemente, em quem virá depois de quem criou cada impacto. Para acrescentar ao respaldo teórico, algumas contribuições sobre o pós-colonialismo, oriundas de Robert Young (2020) e de Bill Ashcroft, Gareth Griffiths e Helen Tiffin (2013), em especial acerca dos conceitos de agência e binarismo, bem como subalternidade (Spivak, 1990) também são pautadas e auxiliam na análise das produções escolhidas. O que se depreende do estudo realizado é que a ressignificação da herança colonial pode se dar pela arte e resistir e persistir por ela.
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Citas
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