Relato de experiência: abordagem multidisciplinar na anemia aplástica – desenvolvimento de um modelo de assistência ambulatorial

Autores

  • Adriana Aparecida Ferreira Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea. Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), MG https://orcid.org/0000-0002-5296-2856
  • Camila Mariana de Araújo Silva Vieira Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea. Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), MG https://orcid.org/0000-0002-1222-3928
  • Débora Wagner Serviço de Psicologia. Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), MG https://orcid.org/0000-0001-6084-0026
  • Flávio Rodrigues Reis Serviço de Hematologia, Hemoterapia e Transplante de Medula Óssea. Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/EBSERH), MG

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-8047.2021.v47.32984

Palavras-chave:

Anemia Aplástica;, Ambulatório Hospitalar, Assistência Integral à Saúde, Equipe de Assistência ao Paciente

Resumo

Introdução: A anemia aplástica é uma doença hematológica rara, que cursa com alta morbidade e mortalidade. O tratamento é definido pela idade do paciente, classificação da gravidade, comorbidades existentes e disponibilidade de um doador compatível para transplante de células progenitoras hematopoiéticas. A assistência a esses pacientes é complexa, tanto pela raridade da condição, quanto pela seriedade das manifestações, e pode ser aprimorada pela atuação de uma equipe multidisciplinar, visando a atenção integral à saúde desses indivíduos. Objetivo: Descrever o trabalho de uma equipe multidisciplinar no atendimento ambulatorial a pacientes com anemia aplástica em um hospital universitário. Relato de Experiência: A partir de março de 2016 o serviço de hematologia de um hospital universitário reorganizou o ambulatório de aplasias, propondo realizar consultas médicas, coleta e avaliação de exames laboratoriais e transfusões, todos nas dependências da instituição e no mesmo dia da semana, diminuindo a necessidade de visitas dos pacientes a múltiplos serviços de saúde. Desde então, 32 pacientes da Zona da Mata mineira e do Campo das Vertentes foram incluídos nesse modelo de seguimento clínico, com baixo índice de absenteísmo nos atendimentos propostos. Conforme demandas apresentadas pelos pacientes ou percebidas pelos médicos, o ambulatório de aplasias passou a oferecer, além do atendimento rotineiro das equipes de enfermagem e da agência transfusional, avaliação dos serviços de psicologia, odontologia, nutrição, fisioterapia, serviço social e referências a outras especialidades médicas. Conclusão: A abordagem multidisciplinar empregada busca melhorar a qualidade de vida dos pacientes, fortalecendo sua relação com os profissionais, a adesão ao tratamento e o entendimento da doença não apenas como um fator médico-biológico, mas como um processo vinculado à história de vida do indivíduo e seu entorno social. Acredita-se que esse modelo possa ser reproduzido em outros serviços, visando aumentar a qualidade na assistência a pessoas com anemia aplástica.

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Publicado

2021-04-22

Como Citar

1.
Ferreira AA, Vieira CM de AS, Wagner D, Reis FR. Relato de experiência: abordagem multidisciplinar na anemia aplástica – desenvolvimento de um modelo de assistência ambulatorial. hu rev [Internet]. 22º de abril de 2021 [citado 17º de setembro de 2021];47:1-7. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/hurevista/article/view/32984

Edição

Seção

Relato de Experiência

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