AS REPRESENTAÇÕES DE MENINAS NEGRAS NOS LIVROS “AMORAS” E “MEU CRESPO É DE RAINHA”

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/2447-5246.2026.v31.48755

Resumo

Este artigo apresenta os resultados de um estudo cujo objetivo foi analisar as representações de meninas negras em livros de literatura africana e afro-brasileira trabalhados na Educação Infantil[1]. A investigação dá continuidade ao projeto “A menina negra na literatura infantil afro-brasileira”, realizado em 2021-2022, aprofundando a análise de obras literárias com vistas a compreender como tais representações contribuem para o fortalecimento de uma imagem positiva da menina negra, desafiando os estereótipos e preconceitos historicamente presentes na literatura infantil. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que adotou, como método, a análise das representações de meninas negras nos livros “Amoras”, de Emicida, e “Meu crespo é de rainha”, de bell hooks[2]. O referencial teórico fundamenta-se nos estudos sociais da infância e das relações étnico-raciais. Os resultados mostram que as publicações analisadas oferecem representações positivas das meninas negras, desafiando os estereótipos negativos frequentemente perpetuados na literatura infantil. As personagens destacam-se por valorizar a identidade negra, promover a autoaceitação e fomentar o empoderamento, criando narrativas que estimulam a autoestima e celebram a diversidade. Os achados também apontam que a inserção de elementos da cultura africana e afro-brasileira bem como a valorização da ancestralidade contribuem para práticas educativas inclusivas e antirracistas. Assim, conclui-se que dar visibilidade à literatura africana e afro-brasileira na educação das crianças pequenas é um passo fundamental no enfrentamento do racismo, do sexismo e do adultocentrismo, questões ainda profundamente enraizadas na sociedade brasileira. 

 

[1]  A pesquisa foi realizada com apoio do Pibic-CNPq.

[2]  A escolha de não utilizar as iniciais maiúsculas foi feita pela própria autora. Segundo ela, a grafia em caixa baixa funciona como gesto de distanciamento em relação ao “ego”, deslocando o foco da figura da escritora para a substância de suas ideias.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marta Regina Paulo da Silva, Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Doutora em Educação pela UNICAMP. Mestre em Educação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Graduada em Pedagogia e Psicologia. Docente do Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (PPGE-USCS). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa Infâncias, Diversidade e Educação - GEPIDE (PPGE-USCS) e do Grupo de Estudos e Pesquisa Paulo Freire - GEPPF (PPGE-USCS). Atua nos seguintes temas: educação infantil, epistemologia freiriana, interculturalidade, relações de gênero, relações étnico-raciais, formação docente.

Ana Carolina Bresciani Valverde, Universidade Municipal de São Caetano do Sul - USCS

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Especialista em Alfabetização e Letramento pelo Centro Universitário Assunção – UNIFAI. 
Professora da Educação Básica, com experiência na Educação Infantil. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa Infâncias, Diversidade e Educação - GEPIDE (PPGE-USCS).

Nicolli Lima Luiz, Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Bolsista de Iniciação Científica CNPq. Estudante do Colégio da Universidade Municipal de São Caetano do Sul. Estudante de Libras. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa Infâncias, Diversidade e Educação - GEPIDE (PPGE-USCS).

Downloads

Publicado

2026-03-19

Como Citar

Silva, M. R. P. da, Valverde, A. C. B. ., & Luiz, N. L. (2026). AS REPRESENTAÇÕES DE MENINAS NEGRAS NOS LIVROS “AMORAS” E “MEU CRESPO É DE RAINHA”. Educação Em Foco, 31(1), e31005. https://doi.org/10.34019/2447-5246.2026.v31.48755

Edição

Seção

Artigos