Ferro, Ferreiros e Forja: O Ensino de Química pela Lei Nº 10.639/03

  • Anna M. Canavarro Benite Universidade Federal de Goiás (UFG)
  • Juvan Pereira da Silva Universidade Federal de Goiás (UFG)
  • Antônio César Alvino Universidade Federal de Goiás (UFG)
Palavras-chave: Ciência/Química. Tecnologia. Currículo.

Resumo

Neste trabalho, discutimos as relações entre a ciência/ química, o trabalho, o surgimento e a manutenção das sociedades e como estas afetam a química que ensinamos na escola: ahistórica e descontextualizada. Admitimos a negação e a invisibilidade de um passado em ciência e tecnologia dos povos africanos e da diáspora e apresentamos uma proposta de ensino de química descolonizada a partir do reconhecimento do hibridismo da sociedade brasileira multirracial. Nossos resultados denunciam a rigidez do currículo, o empobrecimento de seu caráter conteudista e a necessidade de dialogar com a cultura e a história africana e afro-brasileira como instrumento de articulação deste currículo. Utilizamos o contexto da transformação da matéria – o ferro, pela causa motriz – os ferreiros, por meio do trabalho – a forja, para romper com a epistemologia curricular e apresentar a ciência/química de matriz africana.

Biografia do Autor

Anna M. Canavarro Benite, Universidade Federal de Goiás (UFG)
Doutora em Ciências pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ, 2005). Mestra em Ciências (Química Inorgânica) pela UFRJ (2001). Licenciada em Química e graduada em Química – Habilitação Tecnológica pela UFRJ (1998). Atualmente é professora associada da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ativista do Grupo de Mulheres Negras Dandara no Cerrado. Coordenadora do Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão (LPEQI/UFG). Coordenadora da Rede Goiana Interdisciplinar de Pesquisas em Educação Inclusiva-l (RPEI). Membro da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros e da Associação Brasileira de Pesquisa em Ensino de Ciências. Assessora da Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Goiás. Atua na área de Ensino de Química com foco nos seguintes temas: cultura e história africana no ensino de ciências, ensino de ciências de matriz africana, ensino de ciências e as necessidades educativas especiais, cibercultura na educação inclusiva e pesquisa em formação inicial e continuada de professores de Química.
Juvan Pereira da Silva, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Mestre em Química pela UFG (2005). Bacharel em Química (UFG, 2000). Doutorando em Química (UFG). Desenvolve tese no tema de formação de professores de Química em disciplina experimental com abordagem cultural, sobre a orientação da Prof.ª Dr.ª Anna Maria Canavarro Benite. Paralelamente ao doutorado, fez a complementação em licenciatura em Química, quando desenvolveu pesquisas na área de cultura e história africana no ensino de Ciências/ Química. Tem experiência na área de Química, com ênfase em Química Inorgânica na recuperação de metais nobre de catalisador automotivo exaurido. É técnico nos laboratórios de graduação do Instituto de Química da UFG e exerceu a atividade de docência superior na Universidade Estadual de Goiás (UEG) em regime de contrato temporário (2005-2009).

Antônio César Alvino, Universidade Federal de Goiás (UFG)

Licenciado em Química pela UFG (2014). Atualmente aluno do Programa de Pós-Graduação do Instituto de Química da UFG, Laboratório de Pesquisa em Educação Química e Inclusão (LPEQI/UFG), associado na Sociedade Brasileira de Química, Associação Brasileira de Química e da Associação Brasileira de Pesquisa em Ensino de Ciências. Atua na área de ensino de Química com foco nos seguintes temas: cultura e história africana no ensino de ciências e ensino de ciências de matriz africana.

Publicado
2016-12-12
Seção
Artigos