Ensino de filosofia ou o conteúdo da filosofia e a filosofia como conteúdo

  • Antônio José Lopes Alves
  • Sabina Maura Silva
Palavras-chave: Ensino de Filosofia, Compreensão, argumentação, objetividade textual

Resumo

O presente artigo se dirige ao problema da delimitação da filosofia como conjunto de conhecimentos postos frente à posição da própria filosofia como conteúdo de uma discussão específica. O produzido pela tradição filosófica aparece então como material de exame e de exercício de pensamento, não somente enquanto um produto dado e acabado, não obstante este aspecto exista, mas igualmente como um pretexto e um ponto de partida da produção de novas formas reflexivas. A história se define como produção de pressupostos, no caso, cognitivos e discursivos, a serem desenvolvidos criticamente, no sentido de ultrapassar o caráter datado daqueles, tanto no que se refere ao remetimento para com o momento histórico particular no qual foram produzidos, quanto o limite conceitual intrínseco que apresentam os conceitos. As categorias filosóficas são entendidas, portanto, como pontos de partida para a reformulação conceitual permanente da reflexão e não como um quadro de conteúdos a serem apenas apreendidos e reproduzidos. Entendimento que remodula o exercício de leitura no sentido da apreensão crítica de sentido, objetivamente posto no texto da tradição, o qual uma vez apropriado pode ser interpelado pelo estudante na prática em classe, em discussões e debates. Vigência reconhecida do conteúdo filosófico na trama de sua forma específica e de seu linguajar particular, mas que não redunda então na coletânea erudita do pensamento alheio, e sim na transformação do proceder filosófico em subsídio do pensar por conta própria, em ferramenta de rigor e lucidez.
Publicado
2016-09-25
Seção
Artigos