Relações entre os movimentos reformistas educacionais do ensino de ciências nos Estados Unidos e Brasil na década de 1960

  • Maicon Azevedo
  • Sandra Selles
  • Daniele Lima-Tavares
Palavras-chave: Currículo de ciências. História da disciplina escolar Biologia. Movimento renovador do ensino de Ciências no Brasil. Reforma do currículo de Ciências nos Estados Unidos.

Resumo

O presente artigo examina as relações entre dois movimentos educacionais que visaram reformar o ensino de Ciências em nível secundário nos Estados Unidos e no Brasil na década de 1960. O estudo apoia-se em referenciais do campo do currículo, em especial, na história das disciplinas escolares. Mobilizando esses referenciais, analisa-se o manual pedagógico de auxílio ao professor de Biologia (Biology Teachers’s Handbook), produzido em 1963 no âmbito de um dos projetos de reforma do currículo das escolas secundárias norte-americanas, e o Biological Sciences Curriculum Study (BSCS), que é traduzido e adaptado no contexto do movimento de renovação do ensino de ciências no Brasil neste período. A despeito das distinções entre a reforma norteamericana, da influência que exerce no ensino de Ciências brasileiro, e, sobretudo, da hegemonia exercida sobre o Brasil, argumenta-se em favor de bases epistemológicas comuns que sustentam o ideário reformista nesses países. Sob a liderança de Jerome Bruner e Joseph Schwab e com o protagonismo de eminentes cientistas, esta reforma anuncia uma ruptura das ideias escolanovistas de Dewey. Entretanto, a análise do manual sugere que esse ideário é ressignificado sem abandonar completamente suas bases.

Biografia do Autor

Maicon Azevedo
Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1997). Especialização em ensino de Ciências pela Universidade Federal Fluminense, em Educação para gestão ambiental pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Mestre e Doutor em Educação pelo programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal Fluminense. Atualmente é professor regente do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca. Vice diretor da Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio) regional 02 Integrante do grupo de pesquisa Currículo, docência & cultura (CDC). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Currículo e Educação em Ciências, atuando principalmente nos seguintes temas: história das disciplinas escolares, processos de didatização, experimentação no ensino de ciências e biologia, movimentos inovadores do ensino de ciências, formação de professores de biologia, e livro didático de ciências e biologia.
Sandra Selles
Professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminense. Licenciada em Ciências Biológicas pela UERJ e Doutora em Educação em Ciências pela University of EastAnglia, Inglaterra. Trabalha e investiga a formação de professores e a história do currículo. Atua no Programa de PósGraduação em Educação da Universidade Federal Fluminense. É Bolsista de Produtividade 1-D do CNPq, Cientista de Nosso Estado pela FAPERJ. Coordena o CDC – Grupo de Pesquisa Currículo, Docência & Cultura – nessa universidade
Daniele Lima-Tavares
É professora Adjunta do Departamento de Teoria e Planejamento de Ensino (DTPE) no Instituto de Educação na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, professora das disciplinas de Estágio Supervisionado Biologia/ Química II, III e IV no CEDERJ, atua no Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR) na área de Ensino de Ciências no Instituto Multidisciplinar da UFRRJ/campus Nova Iguaçu, atua como professora do Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências e Matemática (PPGEduCIMAT) /mestrado na área de Ciências e Biologia e exerce o cargo de Diretora na Regional 02 RJ/ES da SBEnBIO (Associação Brasileira de Ensino de Biologia). Participa do Grupo de Pesquisa Currículo, Docência e Cultura(CDC/UFF) e do Grupo de Estudos e Pesquisa (GEPEnBIO/UFRRJ).
Publicado
2016-06-17
Seção
Artigos