Para onde caminha a tradução?

Autores

  • Eloá Catarine Pinto Teixeira doutoranda em Literatura e Cultura pela UFBA

Palavras-chave:

tradução, mito de Babel, estrangeiro, identidade, estudos culturais

Resumo

O artigo traz uma discussão sobre o rumo que têm tomado os estudos em tradução na perspectiva dos estudos culturais. Discute-se o mito de Babel sob a ótica desconstrutivista com vistas a ampliar o debate sobre o papel da tradução na construção da identidade do sujeito pós-moderno. A noção de Stuart Hall de que a pós-modernidade descentralizou não só o sujeito, mas a própria noção de identidade cultural serve de ponto de partida para essa análise.  Discute-se ainda a noção de Lawrence Venuti de que a tradução seria um exercício ao mesmo tempo de domesticação e estranhamento, que define os limites em que a subjetividade é construída. Processo esse que se dá na medida em que novos elementos externos são introduzidos numa dita cultura local, seja por violência seja por assimilação. Nesse panorama, a língua é percebida como elemento de identificação cultural, sendo assim um espelho das transformações geradas pela presença estrangeira numa dada cultura.

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Referências

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Publicado

2015-08-18

Como Citar

PINTO TEIXEIRA, E. C. Para onde caminha a tradução?. Rónai – Revista de Estudos Clássicos e Tradutórios, [S. l.], v. 2, n. 1, p. 111–124, 2015. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/ronai/article/view/23095. Acesso em: 20 jun. 2024.

Edição

Seção

Artigos