Desconstrução da categoria “Religião” e seus desdobramentos epistemológicos
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2023.v26.42524Palavras-chave:
conceito de Religião; Ciência da Religião; Epistemologia; Pensamento Decolonial; DesconstruçãoResumo
Esse artigo retoma e discute as críticas recentes feitas à categoria religião no âmbito dos estudos de religião, propondo uma abordagem desde uma perspectiva decolonial. A crítica indica que a categoria religião é inventada pela modernidade europeia com intenções colonialistas, não tendo clareza quanto ao seu referente e, portanto, é destituída de valor analítico ao distorcer os fenômenos aos quais se refere. Essa crítica à categoria religião se desdobra em três aspectos: a) ela é uma invenção acadêmica e não tem referente claro e, portanto, não tem relevância analítica; b) é resultado de contrabando teológico; c) é uma noção colonialista. Na segunda parte, o artigo defende que, não obstante suas limitações e imperfeições, a categoria religião quando entendida dentro dos diversos contextos e das estratégias de investigação e de resistência se mantem relevante e pertinente.
Downloads
Referências
ANZALDUA, Gloria. Border Arte: Nepantla, el Lugar de la Frontera. In: ANZALDUA, Gloria. The Gloria Anzaldua Reader. Ana Louise Keating (editor). London: Duke University Press, 2009.
ARNAL, William. “Definition.” In. Guide to the Study of Religion. BRAUN, Willi; MCCUTCHEON, Russell T. (Editores). London: Continuum, 2000, p. 21–34.
ARNAL, William. “The Segregation of Social Desire: ‘Religion’ and Disney World.” Journal of the American Academy of Religion, Oxford, v. 69, n.1, 2001, 1–19.
ARNAL, William; MCCUTCHEON, Russel. The Sacred is the Profane. The Political Nature of “Religion”. Oxford: Oxford University Press, 2013.
ASAD, Talal. A construção da religião como uma categoria antropológica. Tradução: Bruno Reinhardte e Eduardo Dullo. In: Cadernos de campo, n. 19, 2010. (Tradução de Genealogies of Religion). Disponível em: https://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/44990
BARTH, Karl. Revelação de Deus como sublimação da religião. São Paulo: Fonte Editorial, 2011.
BHABHA, Homi. The Location of Culture. London and New York: Routledge, 1994.
CASANOVA, José. Public Religions in the Modern World. Chicago, IL: The University of Chicago Press, 1994.
BORGES, Jorge Luis. O idioma analítico de John Wilkins. In: BORGES, Jorge Luis. Outras inquisições: (1952). Tradução de Davi Arrugicci Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 2007
CUCHE, Denys. A noção de cultura nas ciências sociais. Bauru: EDUSC, 2002.
Dubuisson, Daniel. The Western Construction of Religion: Myths, Knowledge, and Ideology. Translated by William Sayers. Baltimore: Johns Hopkins University Press, 2003.
ELIADE, M. Imagens e Símbolos. Ensaio sobre o simbolismo mágico-religioso. São Paulo: Martins Fontes, 2002
FITZGERALD, Timothy. The Ideology of Religious Studies. Oxford: Oxford University Press, 2000.
GREEN, Garrett. Challenging the Religious Studies Canon: Karl Barth’s Theory of Religion. The Journal of Religion, Chicago, v. 75, n. 4, 1995, p. 473-486.
HINNELS, John. Introduction. In: HINNELS, John (editor). The Routledge Companion to the Study of Religion. London/New York: Routlegde, 2005.
JAMES, William. As variedades da experiência religiosa. São Paulo: Cultrix, 2017
LEWIS, Bernard. Some Observations on the Significance of Heresy in the History of Islam. Studia Islamica, Leiden, n. 1, p. 43-63, 1953
LEASE, Gary. The History of “Religious” Consciousness and the Diffusion of Culture: Strategies for Surviving Dissolution. Historical Reflections/Reflexions Historiques, New York, v. 20, n. 3, 1994, p. 453-479.
LUTHER, Martin H. Introduction: The Post-Eliadean Study of Religion and the New Comparativism. The New Comparativism in the Study of Religion: A Symposium. Method and Theory in the Study of Religion, New York, v. 8, 1994, p. 1-3.
MAGALHÃES, Antonio Carlos de Melo. Religião. Entre desejo, autocrítica e comensalidade. São Paulo: Ambigrama, 2015.
MASUZAWA, Tomoko. The Invention of World Religions. Or, How European Universalism Was Preserved in the Language of Pluralism Chicago, 2005.
McCLOUD, Steven. Religions are Belief Systems. In: STODDARD, Brad; MARTIN, Craig. Stereotyping Religion. Critiquing Clichés. London: Bloomsbury, 2017, p. 11-22.
McCUTCHEON, R. T. Critics Not Caretakers Redescribing the Public Study of Religion. Albany: SUNY, 2001.
McCUTCHEON, Russell. Manufacturing Religion: The Discourse on Sui Generis Religion and the Politics of Nostalgia. New York: Oxford University Press, 1997.
MIGNOLO, W.; WALSH, C. On Decoloniality. Concepts, Analytics, Praxis. London: Duke University, 2018
MIGNOLO, Walter. Histórias locais ‑ projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.
NIETZSCHE, F. Humano, demasiado humano. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.
NOGUEIRA, Paulo. Narrativa e cultura popular no cristianismo primitivo. São Paulo: Paulus. 2018.
OTTO, R. O sagrado. Petrópolis: vozes, 2007.
PALS, Daniel. Is Religion a sui generis Phenomenon? Journal of the American Academy of Religion, Oxford, v. 55, n. 2, jul. 1987, p. 259–284.
PIEPER, Frederico. Religião: limites e horizontes de um conceito. In: Estudos de Religião, p.5-35, 2019.
PROUDFOOT, Wayne (Editor). William James and a Science of Religions. Reexperiencing The Varieties of Religious Experience. New York: Columbia University Press, 2004.
RIESEBRODT, Martin; KONIECZNY, Mary Ellen. Sociology of Religion. In: HINNELS, John (editor). The Routledge Companion to the Study of Religion. London/New York: Routlegde, 2005, p.125-143.
ROSA, João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. 19ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.
SCHLEIERMACHER, Friedrich. On Religion: Speeches to Its Cultured Despisers. Cambridge: Cambridge University Press, 1996.
SCHILBRACK, Kevin. Philosophy and the Study of Religions: A Manifesto. Malden: Wiley Blackwell, 2014.
SCHILDERMAN, Hans (editor). The Concept of Religion. Defining and Measuring Contemporary Beliefs and Practices. Leiden/Boston: Brill, 2014.
SHARF, Robert. Experience. In: TAYLOR, Mark C. Critical Terms for Religious Studies. Chicago: The University of Chicago Press, 1998, p. 94 – 107.
SMITH, Jonathan Z. Imagining religion. From Babylon to Jonestown. Chicago: The University of Chicago Press, 1982.
SMITH, Jonathan Z. Religion, Religions, Religious. In: TAYLOR, Mark C. Critical Terms for Religious Studies. Chicago: Chicago University Press, 1998. P. 269-284.
SMITH, Wilfred Cantwell. O sentido e o fim da religião. São Leopoldo: Sinodal, 2006.
STRENSKI, Ivan. Ideological Critique in the Study of Religion Real Thinkers, Real Contexts and a Little Humility. In: ANTES, Peter, GEERTZ, Armin W., WARNE, Randi R. New Approaches to the Study of Religion. Volume 1: Regional, Critical, and Historical Approaches. Berlin /New York: Walter de Gruyter, 2004, p. 271-293.
STRENSKI, Ivan. Interrogating ‘Religion’. In: STRESNKI, Ivan. Why Politics Can’t Be Freed From Religion. Oxford: Blackwell, 2010.
TYLOR, Edward Burnett. Primitive Culture. Gloucester: Peter Smith, 1970.
WACH, J. El estudio comparado de las religiones. Buenos Aires: Paidós, 1967
WACH, J. Types of Religious Experience. Christian and non-Christian. Chicago: Chicago University Press, 1965.
WEBER, Max. From Max Weber: Essays in Sociology. London: Routledge, 2013.
WIEBE, Donald; MARTIN, Luther. The Scientific Study of Religion: Two Case Studies. Method and Theory in the Study of Religion 25, p. 408-409, 2013.
WILDE, Oscar. O retrato de Dorian Gray – edição anotada e sem censura. Organização de Nicholas Frankel. Tradução de Jorio Dauster. São Paulo: Globo, 2013
WILSON, Brian. From the Lexical to the Polythetic: A Brief History of the Definition of Religion. IDINOPULOS, Thomas; WILSON, BRIAN. What is Religion. Origins, Definitions, and Explanations. Leiden/Boston: Brill, 1998, p. 141-162.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Direito Autoral e de Exoneração de Responsabilidade Editorial
O envio de artigo implica a cessão dos direitos de publicação à Numen. Ao submeterem o manuscrito, os autores declaram-se titulares dos direitos autorais da obra. Os artigos aprovados são publicados sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY 4.0). Esta licença permite o compartilhamento, cópia e redistribuição do material em qualquer suporte ou formato, bem como sua adaptação para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja atribuído o devido crédito aos autores originais e à Revista NUMEN como veículo de publicação original.
Os artigos publicados em Numen são de total responsabilidade dos respectivos autores e autoras.
O conteúdo científico, opiniões, dados, conceitos e posicionamentos expressos nos artigos publicados são de inteira e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores. Por conseguinte, cumpre esclarecer que:
- A competência da equipe editorial restringe-se à chancela do processo de avaliação positiva.
- A homologação dos pareceres favoráveis vincula a revista estritamente ao ato técnico da publicação.
- A revista exime-se de qualquer responsabilidade civil, penal, autoral ou ideológica sobre o teor das obras. Os artigos publicados na Revista NUMEN são de inteira e exclusiva responsabilidade civil, penal e acadêmica de seus autores. O processo editorial adota o sistema de avaliação cega por pares (double-blind peer review). A competência da revista limita-se a homologar a avaliação positiva dos pareceristas externos e executar o ato técnico da publicação, eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre o conteúdo, opiniões ou dados vertidos na obra.
- Eventuais litígios ou contestações sobre o conteúdo deverão ser direcionados diretamente aos submissores do texto.
Política de Prevenção ao Plágio
Os autores garantem a total originalidade do manuscrito, sendo terminantemente vedados:
- Plágio direto ou parcial: Cópia de textos de terceiros sem a devida identificação e citação bibliográfica.
- Autoplágio: Reutilização massiva de textos próprios já publicados, sem o ineditismo exigido pela revista.
- Fraude científica: Fabricação ou manipulação de dados, gráficos e resultados.
Citações e Conteúdos de Redes Sociais
O uso de dados, imagens, textos ou quaisquer conteúdos extraídos de plataformas de redes sociais (como Instagram, TikTok, X/Twitter, Facebook, LinkedIn, entre outras) deve observar rigorosamente os seguintes critérios jurídicos e técnicos:
- Direito à Privacidade e Anonimização: É obrigação dos autores anonimizar dados pessoais, nomes, fotos e perfis de usuários que não sejam figuras públicas, garantindo o direito à privacidade e a proteção de dados (LGPD).
- Direito de Imagem e Propriedade Intelectual: A reprodução de capturas de tela (prints), fotografias ou obras artísticas publicadas em redes sociais exige a autorização expressa do titular dos direitos ou o enquadramento estrito nas exceções legais de direito de citação para fins de crítica ou estudo.
- Rigor Metodológico: Todo conteúdo digital retirado de redes sociais deve vir acompanhado da respectiva citação técnica, contendo o autor do post, o nome da plataforma, o link direto de acesso (URL) e a data exata do acesso.

