https://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/issue/feedNumen2026-07-07T19:11:00+00:00Rodrigo Portellarodrigo.portella@ufjf.brOpen Journal Systems<p>A Numen: Revista de Estudos e Pesquisa da Religião é uma publicação acadêmica do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião (PPCIR) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que se propõe a ser um espaço para a divulgação de pesquisas relevantes para a compreensão da religião, com abertura para perspectivas diversas e oferecendo oportunidade para contribuições oriundas de diversas áreas de conhecimento. (QUALIS A2)</p> <p> </p>https://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/48091A temperança na imagem religiosa e no rito2025-10-14T18:40:19+00:00Helmut Rendershelmut.renders@gmail.com<p>Este artigo estuda o desenvolvimento da cultura visual temperante e o uso do vinho no rito da Santa Ceia entre os séculos XVI e XIX. Tanto o rito quanto a cultura visual temperante são abordados como manifestações de memória e apelo cultural. Como referências teóricas, são utilizados Erwin Panofsky, Aby Warburg e Jan Assmann. A análise considera distinções importantes, como as relações entre o privado e o público, o individual/familiar e o social, bem como entre temperança e abstinência/proibição. Conclui-se que a cultura visual temperante seguiu consistentemente convenções culturais, alcançando um momento de destaque entre 1850 e 1934, ao se alinhar com outros elementos catalisadores de transformação cultural. Após 1945, contudo, experimentou um declínio gradual, tornando-se uma expressão marginal de subcultura até desaparecer completamente. Apesar disso, o uso do suco de uva na Santa Ceia tem permanecido desde 1880 até os dias atuais em igrejas que defendem a temperança.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51076A subjetividade como desafio ao neurocentrismo2026-02-23T14:04:22+00:00René Dentzdentz@hotmail.comJosé Francisco Fernandes Juniorfernandes.junior@ufjf.br<p>Por meio de uma abordagem qualitativa e hermenêutica, este estudo opera uma reconstrução histórico-conceitual voltada ao exame crítico do avanço das leituras neurocientíficas de cunho determinista, reducionista, mecanicista e fisicalista, as quais buscam identificar a subjetividade, a liberdade e a responsabilidade como produtos epifenomênicos do cérebro. Partindo de uma reconstrução histórica do problema mente-cérebro, o texto mostra como determinadas interpretações neurocientíficas confundem método científico com pressupostos metafísicos, produzindo um modelo empobrecido de humano. Em contraponto, a filosofia existencial de Kierkegaard recupera a subjetividade como tarefa e decisão; Paul Ricoeur introduz a mediação narrativa, a ipseidade e a responsabilidade como categorias irredutíveis; e Thomas Fuchs reconstrói a subjetividade enquanto experiência encarnada, relacional e situada. A articulação desses autores oferece uma alternativa robusta ao neurocentrismo, reinscrevendo a pessoa humana em seu horizonte ético, narrativo e fenomenológico. Além disso, o trabalho discute as implicações desse embate para as ciências da religião, defendendo a irredutibilidade da experiência da transcendência contra o reducionismo biológico. Concluímos que nenhuma descrição cerebral esgota a densidade ontológica da subjetividade, e que a compreensão do humano exige um paradigma plural, interdisciplinar e sensível à interioridade, à narrativa e à corporeidade.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51619O “Poema da Contemplação ao alvorecer” de Śaṅkarācārya2026-02-03T16:39:03+00:00Alina Silva Sousa de Mirandaalina.miranda@ufma.br<p>Os comentários (bhāṣyas) do filósofoŚaṅkarācārya (séc. VIII) à tríade fundamental da escola Advaita Vedānta (Não-dualidade) –os Upaniṣads, o Brahmasūtrae o Bhagavadgītā–constituem o núcleo mais estudado de sua obra. Por outro lado, os poemas (stotras) por ele compostos desempenham igualmente um papel decisivo no método de reflexão racional que visa à superação do sofrimento. Este artigo propõe uma tradução e análise filosófica do “Poema da contemplação ao alvorecer” (Prātaḥ-smaraṇa Stotra) que, por condensar, em forma aforismática, os princípios ontológicos e pedagógicos da Não-dualidade (advaita), confirma que Śaṅkarācārya explora esse gênero textual como instrumento de orientação cognitiva, integrado ao campo pedagógico dos Upaniṣads. A “contemplação ao alvorecer”, temática central do poema, funciona como uma metáfora que visa apontar para o fundamento unicista de toda realidade, o Absoluto [Brahman].</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/50740Kyriakē hēmera2026-02-20T17:45:39+00:00Vanderlei Dornelesvanderlei.dorneles@unasp.edu.brMarcos Peter Teixeira Soaresmarcospeter1@hotmail.com<p>A expressão grega kyriakē hēmera(“dia do Senhor”, em Ap 1:10), um hapax legomenondo Novo Testamento, gera longos debates teológicos com importantes implicações religiosas e sociais. O contexto atual das encíclicas papais e de movimentos sociais sobre o descanso semanal demanda a continuidade da pesquisa e do debate, bem como do espírito da liberdade religiosa. Este artigo analisa brevemente a frase a partir de uma perspectiva histórica e textual. Compara interpretações que associam kyriakē hēmera ao dia do imperador, dia escatológico, Domingo de Páscoa, domingo e sábado. Reconhece que a tradição cristã extrabíblica posterior identificou a expressão com o domingo, como diversos documentos o demonstram. O artigo traz elementos novos para a discussão em relação a questões históricas, textuais e literárias, que tendem a favorecer a relação com o sétimo dia da semana, mas reconhece que a expressão é multifacetada e que a evolução de seu sentido seguirá como objeto de pesquisas futuras.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/52324O gozo místico-erótico em O Êxtase de Santa Teresa de Bernini2026-03-30T18:32:09+00:00José Davi de Almeida Lira davilira98@gmail.comWalter Melowmelojr@ufsj.edu.br<p>Este artigo investiga a convergência entre erotismo e mística na representação de Santa Teresa de Ávila por Gian Lorenzo Bernini na escultura O Êxtase de Santa Teresa. Para tanto, analisa o Livro da Vida, autobiografia da santa, examinando a centralidade da experiência corporal e da linguagem esponsal na teologia teresiana. Em seguida, analisa a iconografia de Bernini, destacando como o escultor amplifica a carga sensual da transverberação através da teatralidade barroca, rompendo com o decoro histórico e aproximando a imagem sacra de temas profanos. A discussão é fundamentada teoricamente nas perspectivas de Georges Bataille, sobre o erotismo sagrado e na psicologia analítica de C. G. Jung, acerca do espectro entre instinto e arquétipo. Conclui-se que a imagética erótica, presente na escritura e na escultura, não se reduz apenas à sexualidade corporal, mas revela a indissociabilidade entre corpo e espírito na união mística.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51645La teología cuir como espiritualidad política2026-02-05T16:33:07+00:00Enrique Vega-Dávilacenveda@gmail.com<p>El artículo propone comprender la teología cuir como espiritualidad política situada en América Latina, en diálogo crítico con la teología de la liberación y la teoría queer. Asume que toda teología codifica sexualidad y poder y sostiene que desplazar el locus theologicus hacia cuerpos, deseos y afectos excluidos implica disputar regímenes cisheteronormativos que administran la vida creyente. El texto desarrolla una reflexión teológico-conceptual situada que articula la intuición liberacionista de la teología como reflexión crítica sobre la praxis, la teología indecente de Marcella Althaus-Reid y la noción de performatividad para analizar normas, prácticas comunitarias y ritualidad. Identifica tres desplazamientos: reubicar el locus theologicus en la vida corporal concreta; entender la sexualidad como práctica política que produce sujetos y exclusiones; y resignificar la ritualidad, incluidas liturgias disidentes, como producción teológica desde epistemologías del Sur. Ofrece criterios para pensar la espiritualidad como praxis encarnada, pública y conflictiva en contextos latinoamericanos, en comunidad.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51680Monsenhor Rios em sua antecessão póstuma 2026-02-20T17:19:34+00:00Víviam Lacerda de Souzaviviam.souza@ifrj.edu.brJosé Antônio da Silvajanthonius@uol.com.br<p>Artigo baseado na transcrição do Inventário do Monsenhor Rios com o objetivo de analisar as vivências do religioso e suas ações para uma melhor compreensão folkcomunicacional. A metodologia aplicada é a análise de conteúdo aplicada ao estudo de documentos físicos. Em meio aos mecanismos comunicacionais globalizados e abrangentes de uma massa populacional, as formas rudimentares construídas pelos marginalizados se perfazem eficientes em contextos que estão aquém dos holofotes midiáticos. Esse fato demonstra claramente que a comunicação é moldada de acordo com as mais diversas realidades e sob objetivos distintos, mas claramentesatisfatórios, independentementede sua esfera política ou econômica; ou seja, é adaptada a partir de necessidades e desejos quetangem emissores e receptores e mostra-se em plena harmonia com mecanismos hegemônicos. Deste modo, o método utilizado para a difusão de informação reproduz claramente uma cultura e a partir de constatações científicas, temos então o patrimônio imaterial que se consolidaa cada nova pesquisa. Falar de folkcomunicação é tratar de um processo inclusivo, sustentável e culturalmente enraizado. Concluímos que a trajetória de vida do Monsenhor Rios foi marcada por ações que envolviam tradições, crenças e costumes da época, as quais foram reproduzidas em documento que antecedeu sua morte, sujeitoeobjeto de estudo dessa pesquisa. Anseios, solicitações, corroborações registradas em meio à doença que cessaria uma existência física, mas que pela comunicação popular,a folkcom, perpetua a disseminação da mensagem no decorrer dos séculos enfatizando a característica de um tempo na figura representativa de um ser que soube mesclar práticas cotidianas com espiritualidade e fé cristã.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/53470Editorial2026-06-21T15:02:12+00:00Rodrigo Portellaportellarodrigo1969@gmail.com2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/53663Nominata 2026.12026-07-07T19:05:28+00:00<p>...</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/53469Editorial do dossiê2026-06-21T13:21:05+00:00Guilherme Leite Ribeiroguilhermeribeirohist@gmail.comMichelli de Souza Possmozersociologiapolitica@uenf.br<p>.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/52015Racismo e plataformização entre os evangélicos no Brasil2026-05-11T14:43:12+00:00Luana Aparecida Alves da Silvaluanaalvessilva564@gmail.com<p>O objetivo deste artigo é compreender a força das plataformas digitais na propagação de denúncias contra o racismo dentro das igrejas evangélicas, analisando, portanto, dois casos que envolvem essa temática. Para dar sustentação à análise discutiremos a expressiva presença dos negros dentro das igrejas evangélicas. Após isso, analisaremos o primeiro caso que diz respeito ao comunicado oficial publicado pela Igreja Pentecostal Deus é Amor cujo objetivo era a proibição do penteado afro entre os membros da igreja. Logo em seguida, o segundo caso que se refere à fala proferida por um pastor da Assembleia de Deus, em uma convenção de mulheres da Assembleia de Deus do Pará. Posteriormente, faremos uma discussão sobre o fato de o racismo ser crime no Brasil. Seguidamente, discutiremos sobre o Movimento Negro Evangélico e a importância das plataformas digitais. Por fim, traremos as contribuições da autora Letícia Cesarino, que discute a plataformização que perpassa a sociedade atual. Ao término deste estudo, observaremos que as mídias sociais são de suma importância para que os casos de racismo sejam amplamente expostos e discutidos.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51747Religião, política e crianças2026-02-21T03:33:03+00:00Fabrício Roberto Costa Oliveirafabriciooliveira@ufv.brAllan Fagundes Pereiraallan.pereira@ufv.brLaura Neves Ferreira da Silvalaura.neves@ufv.br<p>Este artigo analisa a mobilização de narrativas morais sobre a infância pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), por meio do jornal Folha Universal. Tomamos como recorte os contextos eleitorais dos anos de 2018 e 2022 e o ano de 2025, após a repercussão das denúncias do youtuber Felca sobre o fenômeno da “adultização”. Nos pleitos recentes, a moralidade ocupou lugar central no discurso bolsonarista, especialmente por meio da associação da esquerda com supostas ameaças à família, pauta recorrente no editorial. A análise indica que discursos religiosos e eleitorais tornam-se miméticos nesses contextos. Em contraste, diante das denúncias de Felca, o jornal abandona o tom acusatório direcionado à esquerda e passa a enquadrar o problema em fatores sociais mais amplos, como a modernidade e as redes sociais, atribuindo às famílias a responsabilidade pela regulação moral da infância. Nota-se que essa mudança revela estratégias discursivas acionadas conforme o contexto político.</p> <p> </p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/52111Ecumenismo de guerra2026-03-20T14:10:32+00:00Humberto Ramos de Oliveira Júniorhumbertoliveirajr@gmail.com<p>Este artigo analisa o fenômeno que denominamos “ecumenismo de guerra”: a aliança tática entre católicos e evangélicos conservadores na política brasileira contemporânea. Diferentemente do ecumenismo histórico, orientado pelo diálogo teológico e pela busca da unidade cristã em torno de pautas progressistas e dos direitos humanos, o ecumenismo de guerra caracteriza-se pela convergência pragmática em torno de uma agenda política comum. A partir da análise da atuação parlamentar, das manifestações públicas e dos discursos de lideranças religiosas, o artigo demonstra como católicos e evangélicos, historicamente separados por rivalidades teológicas e culturais, têm construído alianças eleitorais e legislativas sustentadas por três eixos programáticos: a agenda antigênero, a defesa de uma determinada concepção de família e o combateao que denominam “ideologia de gênero”. Argumentamos que esse fenômeno representa uma mutação no campo religioso-político brasileiro, com implicações significativas para a laicidade estatal e para os direitos humanos.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/52038Sob a proteção de Deus2026-02-22T17:18:28+00:00Rafael da Gamagama.hist@gmail.com<p>O artigo analisa a atuação inicial da chamada bancada evangélica na Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988, tomando como objeto a controvérsia em torno da manutenção da expressão “sob a proteção de Deus” no preâmbulo constitucional. A pesquisa tem como objetivo compreender o sentido político-religioso atribuído a essa defesa pelos parlamentares evangélicos. Utiliza-se a análise de matérias da grande imprensa e dos Anais da Constituinte, tratados como fontes documentais que expressam discursos e representações do grupo de políticos evangélicos que se encontra na Constituinte. Argumenta-se que a centralidade de pautas morais e a defesa do preâmbulo não se restringiam apenas a uma crença religiosa, mas se articulavam a um imaginário político-religioso que vinculava moralidade pública e reconhecimento institucional de Deus à expectativa de prosperidade da nação. Em uma ressignificação do modelo do destino manifesto adaptado para a realidade brasileira vigente no período. </p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51506Crente não se mete em política? 2026-02-03T16:42:23+00:00Bezaliel Alves Oliveira Juniorbezaliel.junior@outlook.comWheriston Silva Neriswheriston.neris@ufma.br<p>Este artigo analisa historicamente a atuação política dos pentecostais no Brasil contemporâneo, destacando a transição de um distanciamento tradicional em relação à política institucional para uma presença organizada no espaço público. A partir de uma revisão crítica da literatura especializada, incluindo estudos sociológicos e historiográficos, o texto toma como ponto de partida o período do regime militar (1964–1985) e as eleições gerais de 1986, situando a Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988 como um momento decisivo para a inserção pentecostal no sistema político. Ao mesmo tempo, a análise acompanha os desdobramentos desse processo nas décadas seguintes, quando a presença evangélica se consolida nas arenas institucionais por meio da formação e da ampliação da chamada bancada evangélica no Parlamento brasileiro. Nesse percurso, o artigo examina as mudanças discursivas e organizacionais que permitiram a formação de candidaturas oficiais, a mobilização eleitoral de fiéis e a crescente articulação de pautas públicas associadas à moralidade religiosa. Ao mesmo tempo, ressalta a heterogeneidade interna desse segmento religioso e os limites de sua atuação política no contexto de um Estado democrático e laico. Ao oferecer um balanço crítico das principais abordagens sobre o tema, o artigo contribui para a compreensão das dinâmicas históricas e institucionais que caracterizam a presença pentecostal no campo político brasileiro contemporâneo. </p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51366Conservadorismo, política e religião2026-02-03T16:58:10+00:00Fernando Seffnerfernandoseffner@gmail.comKelvi da Silva OliveiraKelvioli@gmail.com<p>O estudo analisa as interações entre conservadorismo, política e religião no Congresso Nacional brasileiro, centrando-se nas negociações de sentido e disputas narrativas promovidas pela Frente Parlamentar Evangélica (FPE) entre 2023 e 2025. A partir de umaabordagem qualitativa, foram examinadas entrevistas disponíveis no YouTube de 12 parlamentares da FPE que apresentam atuação expressiva nas dinâmicas do legislativo, seja por sua visibilidade pública ou pelo protagonismo em pautas associadas à frente, na convergência entre política e religião. O estudo adotou duas categorias centrais, moralidade e tradição, que evidenciam discursos voltados à defesa da família, da fé cristã e da ordem social, em contraposição a pautas progressistas, relacionadas a gênero, sexualidade e direitos reprodutivos. Os resultados indicam que, embora composta por diferentes partidos e tradições religiosas, a frente contribui para a consolidação do conservadorismo, tensionando o princípio da laicidade e reforçando a hegemonia de discursos moralizantes no cenário político nacional.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51713A articulação histórico-discursiva entre neoliberalismo e Frente Parlamentar Evangélica no Brasil2026-02-14T14:37:32+00:00Danilo Mendesdanilo.smendes@hotmail.com<p>O presente artigo se volta à análise das relações entre evangélicos e neoliberalismo a fim de compreender como se articula teologicamente a recente aproximação entre eles, visível, sobretudo, na atuação da FPE. Temos por hipótese que o conceito de família está no fundamento dessa aproximação e permite explicar, de modo bastante plausível, a guinada à direita que parece definitiva. Para testar essa hipótese, partimos de uma breve história da relação entre evangélico s e neoliberalismo. Esse eixo segue uma linha histórico-investigativa, sublinhando pontos chave de aproximação entre eles. Em seguida, verificamos como a votação da admissibilidade doimpeachment de Dilma Rousseffna Câmara dos Deputados é exemplar para compreendermos a aproximação discursiva com o neoliberalismo, dando ênfase à centralidade do termo família na votação. Nesse ponto, indicamos como os discursos se conectam e retroalimentam, formando um tipo sólido decasamento. Pretendemos, assim, destrinchar como essa relação toma forma em nível discursivo na FPE.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/52063Formação de sujeitos evangélicos engajados2026-03-19T13:42:59+00:00Gustavo Alencargcpalencar@gmail.com<p>O ativismo político evangélico no Brasil tem sido predominantemente associado a pautas conservadoras e à ascensão de uma direita religiosa. Sobretudo nos últimos anos em que a presença dos evangélicos na política eleitoral tem se tornado mais intensa e dinâmica, a relação entre as duas dimensões tem sido intensificada nas análises sociológicas. Contudo, é importante se atentar para dinâmicas políticas evangélicas que se colocam na contramão do conservadorismo mais visível e midiático para que se levantem diferentes questões a respeito das relações envolvendo religião e política. Este trabalho procura investigar coletivos evangélicos considerados progressistas e que desenvolvem um ativismo político voltado para ideais de democracia, cidadania e justiça social. De forma mais específica, será discutido quais pedagogias, gramáticas, práticas e agenciamentos são formuladas no interior de movimentos evangélicos progressistas. Deste modo, o estudo contribui para a compreensão das dinâmicas internas e contra-hegemônicas da religião pública brasileira.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51691A fabricação legislativa do antigênero2026-03-21T16:56:16+00:00Alex Kalilalex.kalil@outlook.com<p>Este artigo analisa como proposições legislativas contrárias à diversidade de gênero e aos direitos sexuais e reprodutivos foram formalizadas na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo entre 2019 e 2022. Com base em 34 projetos de lei e documentos correlatos, examino ementas, justificativas, tramitações, pareceres, emendas e articulações de autoria. O argumento central é que a ALESP não funciona apenas como cenário de expressão de disputas morais externas, mas como arena que reformula controvérsias antigênero em linguagem legislativa. Nesse processo, repertórios religiosos e conservadores, como o da ideologia de gênero, publicizados por segmentos evangélicos, articulam-se a coalizões e passam a operar por meio de gramáticas de proteção da infância, da família, da vida, da liberdade religiosa, da norma culta e do sexo biológico. Argumento que essa operação produz um modelo de proteção seletiva: restrições ao reconhecimento e à circulação de sujeitos LGBT+ e formas dissidentes de gênero e sexualidade são apresentadas como cuidado, prevenção, técnica, direito e ordem pública.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51903Capilaridade religiosa e representatividade feminina2026-04-27T18:07:36+00:00José Fábio Bentes Valentefbarmas@gmail.comFátima Flores de Vargasfati.jornalista@gmail.comFranci Flores de Vargasfranci.vargas@fbnovas.edu.br<p>Este artigo analisa o processo de consolidação da Assembleia de Deus no Amazonas e a configuração da IEADAM como projeto religioso-político. O objetivo é investigar a evolução histórica da denominação e a ampliação da representatividade feminina nas eleições municipais de 2024. Metodologicamente, emprega-se uma abordagem qualitativa de caráter histórico-sociológico, fundamentada em levantamento documental e análise de dados eclesiásticos do pleito de 2024. Os resultados revelam que a IEADAM opera um modelo híbrido de poder, integrando liderança carismática, educação e comunicação para converter capilaridade territorial em influência pública. Observa-se uma transição na participação feminina, que migra de um papel instrumental para um protagonismo institucional, evidenciado pela ocupação de cadeiras legislativas e suplências estratégicas. Conclui-se que o vetor de gênero reconfigura a geopolítica regional através de agendas de cidadania e fortalecimento institucional.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51434Arena pública, tensões e visões pluralistas de públicos emergentes2026-02-20T17:21:29+00:00Edemir Antunes Filhoedantfil@gmail.com<p>Esse artigo analisa a controvérsia dos intervalos bíblicos em escolas públicas de Pernambuco (2024) a partir da sociologia dos problemas públicos (Cefaï). Com base em análise documental (Projeto de Lei nº 2283/2024, atas do MPPE), interações no Instagram e observação de audiências públicas na ALEPE e no MPPE, demonstra como atores evangélico-conservadores transformaram prática devocional juvenil em estratégia de intervenção política no espaço escolar. Os resultados evidenciam padrão de instrumentalização da fé sustentado por três operações: deslocamento discursivo, que converte liberdade religiosa individual em justificativa para imposição coletiva majoritária; agenciamento político da juventude, materializado na coleta de 17 mil assinaturas como capital eleitoral; ecaptura legislativa, com o PL 2283/2024 institucionalizando privilégio confessional sob retórica de cultura de paz. Conclui que a mediação institucional do MPPE, ao regular excessos em vez do princípio da laicidade, naturalizou a presença religiosa na escola, consolidando a instrumentalização da fé como estratégia de hegemonia cultural.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/50921Dilemas entre evangélicos, extrema direita e os direitos humanos2025-12-15T17:29:50+00:00Evaldo Luis Paulyevaldo@unilasalle.edu.br<p>A polarização provocada pelas últimas eleições brasileiras criou alguns dilemas morais entre pastores neopentecostais, políticos da extrema direita e a doutrina jurídica dos Direitos Humanos. O artigo discute a relação entre a democracia liberal, os Direitos Humanos e a Teologia acadêmica desde o final da II Guerra. Essa discussão recomenda análise adicional do dilema moral entre a noção de Liberdade, tanto do fundamentalismo cristão quanto da extrema direita; tal análise questiona duas cruzadas morais. A primeira opõe a cultura de paz proposta pela ONU contra o anseio por vingança e o Direito Humano de ser preso. A segunda é contra a liberdade de ensino e da ciência. A conclusão reforça a necessidade da prudência teológica e ousadia política na defesa moral da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), fundamento do Estado Democrático de Direito.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51876Missão e poder2026-04-27T18:09:21+00:00Rafael Henrique da Costape.rafael.mps1@gmail.com<p>O artigo investiga a tensão entre missão cristã e poder político na tradição bíblica e em sua recepção histórica, formulando critérios teológicos para o discernimento da presença cristã na política contemporânea. A problemática central consiste em identificar sob quais condições a atuação pública de cristãos permanece fiel à lógica do Reino de Deus sem se converter em hegemonia religiosa ou retraimento apolítico. O objetivo é demonstrar que a inversão cristológica da autoridade, expressa na kenosis e na cruz, constitui critério normativo para avaliar modelos históricos e atuais de relação entre Igreja e política. A metodologia adotada é bibliográfica e hermenêutico-teológica, com análise exegética de textos neotestamentários e diálogo crítico com a teologia política e pública contemporânea. Justifica-se o estudo pela crescente visibilidade de atores cristãos no espaço público e pela necessidade de fundamentos teológicos consistentes que orientem sua participação democrática.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numenhttps://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/53468Entrevista com Ricardo Mariano 2026-06-21T12:35:17+00:00Rodolfo Capler Silva Ribeirorodolfocapleroficial@gmail.com<p>Entrevista conduzida por e-mail pelo jornalista Rodolfo Capler Silva Ribeiro em março de 2026 com o Professor Dr. Ricardo Mariano. Nesta entrevista, o sociólogo Ricardo Mariano analisa as transformações recentes do campo religioso brasileiro e o crescente protagonismo político dos evangélicos. O pesquisador discute a passagem de setores pentecostais de uma postura historicamente refratária à política institucional para uma atuação cada vez mais organizada e influente nas estruturas do Estado, abordando temas como a formação da bancada evangélica, as pautas morais, o conservadorismo religioso e as relações entre religião e esfera pública. A entrevista também examina os impactos do crescimento evangélico sobre a configuração religiosa do país, as mudanças reveladas pelo Censo 2022, a dinâmica eleitoral dos evangélicos, a relação com o Partido dos Trabalhadores e as perspectivas futuras da expansão evangélica no Brasil. Com base em décadas de pesquisa, Mariano oferece uma interpretação sociológica dos desafios e das disputas que marcam a presença evangélica na vida pública contemporânea.</p>2026-07-07T00:00:00+00:00Copyright (c) 2026 Numen