Uma proposta de periodização da cultura visual evangélica brasileira: estabelecimento, apropriação, abrasileiramento e metamorfização glocal

Palavras-chave: Linguagens religiosas, Brasil, cultura material, cultura visual evangélica, cultura visual protestante, cultura visual pentecostal, cultura visual neopentecostal.

Resumo

Neste artigo propomos uma periodização da cultura visual evangélica brasileira, ou seja, das igrejas protestantes, pentecostais e neopentecostais, distinguindo-se quatro fases: surgimento da cultura visual evangélica brasileira (1880-1950); apropriação da cultura visual evangélica estrangeira (1914-1980); abrasileiramento da cultura visual evangélica brasileira (1950-1990) e a metamorfização “glocal” (em nível local sob influência global) da cultura visual evangélica brasileira. Nos dois primeiros capítulos, questiona-se a ideia do protestantismo brasileiro como “iconoclasta por convicção”. Em vez disso, são  lembradas representações da culturas visuais na fase de seu estabelcimento  (Bíblias de Famílias ilustradas, uso dos slides de lanternas, matérias visuais nas escolas dominicais), da sua tradução e apropriação (que resultou em três ícones do protestantismo: o Livrinho do coração de J. E. Gossner (1824), o cartaz Os dois caminhos de C. Reihlen (1866) e O  plano divino através dos séculos da Assembleia de Deus (1940). No terceiro capítulo, discorremos a respeito da criação da cultura visual por brasileiros/as (Centro Audiovisual Evangélico (1951), criação de capas (1962), surgimento de logotipos eclesiásticos (1967) e o Smilinguido (1980)). Finalmente,  no quarto capítulo, focamos novas tendências pós-modernas que se refletem na cultura visual evangélica contemporânea pela mesclagem visual radical de culturas materiais e visuais de diferentes confissões cristãs (logo da IURD), integração de religiões distintas (integração da arca da aliança em cultos; sessão de descarrego e Templo de Salomão da UERD) e de lendas urbanas (mesclagem da iconografia de superman na iconografia cristã). Em tudo, argumentamos que cada fase requer um reconhecimento quanto à existência dessas expressções da cultura visual evangélica e a sensibilidade quanto à especificidade do material, do respectivo objetivo de pesquisa e das metodologias propostas. Intercalamos as três fases propostas com afirmações dessa cultura como iconólatra, iconoclasta, iconófila e iconofágica.

Biografia do Autor

Helmut Renders, Universidade Metodista de São Paulo, Faculudade de Teologia

Graduação em teologia - Theologisches Seminar Der Evangelisch-methodistischen Kirche in Deutschland (RFA, 1987) e pela Kirchliche Hochschule Wuppertal (Hebraico, RFA, 1984).  Doutorado em Doctor of Ministry pelo Wesley Seminary Washington, DC (EUA, 1998). Lato Sensu em Ciências de Religião - Universidade Metodista de São Paulo [Umesp], BRA, 2003. Iniciou em 2003 um mestrado em Ciências da Religião (Umesp, BRA) que foi transformado num doutorado direito  em 2004, por ocasião da qualificação. Doutorado em Ciências da Religião (Umesp, BRA, 2006). Desde março 2010 ingresso no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora como pós-doutorando. É professor associado da Universidade Metodista de São Paulo, editor geral da Editeo, editora da Faculudade de Teologia, editor da Revista científica Caminhando (FaTeo / Umesp) e secretüario do Centro de Estudos Wesleyanos (FaTeo / Umesp).

Tem experiência na área de Teologia, com ênfase em Teologia Sistemática e História, atuando principalmente nos seguintes temas: teologia sistemática, teologia wesleyana, teologia e cultura, teologia sustentável, iconologia, teoria da imagem e análise de discursos imagéticos.

Publicado
2019-02-06
Seção
Seção Temática: Cultura Visual e Religião