Magias, oferendas e feitiços
explorando as complexidades rituais e morais dos ‘trabalhos de amor’ no contexto afro-religioso
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2024.v27.43385Palavras-chave:
Religiões afro-brasileiras, Cartomantes, Serviços Espirituais, Livre-arbítrio, Amarração amorosaResumo
Este artigo investiga as dinâmicas rituais e morais relacionadas à execução dos trabalhos de amor, destacando seu status como um domínio altamente controverso no contexto afro-religioso brasileiro. Utilizando a experiência de praticantes que promovem serviços espirituais por meio de cartazes em postes e plataformas virtuais como ponto de partida, analiso a abrangente categoria de "trabalho de amor" como um termo guarda-chuva que engloba várias formas de magia, oferendas, simpatias e feitiços, cada qual aplicada em contextos específicos. Em particular, busco compreender as relações contingenciais que emergem entre esses praticantes e a execução desses trabalhos, enfatizando a influência dos oráculos na delimitação de fronteiras morais específicas. Analiso as concepções nativas de "ter caminho", conforme mediado pelo oráculo, e seu impacto na perspectiva dos agentes desse campo em relação a ideais de autonomia, destino e livre arbítrio no que se refere à execução desses serviços. Por fim, questiono essas mesmas noções de autonomia e livre arbítrio com base em minha experiência etnográfica ao ser consultada por esses profissionais em Salvador. Argumento que não é o livre arbítrio que fundamenta a moralidade mágica. Na verdade, a suposição da autonomia como um princípio universal liberal parece dar lugar a uma moralidade situacional, moldada pelas compreensões oraculares em torno da ideia de caminho.
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