Passado de Glória

a poesia suburbana e o turbilhão de melodias da Velha Guarda da Portela

Autores

  • Silvana Martins dos Santos Universidade Federal de Santa Catarina
  • Lucas Garcia Nunes Universidade Federal de Santa Catarina https://orcid.org/0000-0001-8082-6651

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-0836.2025.v29.50419

Palavras-chave:

Samba. Velha Guarda da Portela. Literatura Brasileira. Arte afrobrasileira Resistência.

Resumo

Esse artigo tem como objetivo fazer reflexões sobre contexto do surgimento do disco da Escola de Samba Portela   "Portela Passado de Glória”, analisar a produção poética, observando o contexto histórico, marcado por profundas mudanças sociais, políticas e guerras.  A fim de provocar a seguinte questão: por que o disco da Portela é um marco na discografia brasileira? A textualidade dos sambas reitera o princípio de uma inteligência e criatividade coletiva, fundamental na trajetória da Portela, demonstrando que o samba não se restringia ao carnaval, desdobrando-se em práticas contínuas — encontros, festas e reuniões no bairro de Oswaldo Cruz, onde a música era instrumento de sociabilidade e afirmação da cultura negra, como apontado por Candeia (2023), por Nei Lopes (2008) e Muniz Sodré (1998).  A recriação da cultural e a apropriação do passado para reconstruir histórias, oralidades e canções é uma forma de criticar as mazelas dos séculos XX, do legado do colonialismo e propor a quebra da estrutura social.  A arte, a música e a palavra contada são caminhos de encontro com o que Franz Fanon (2020) chama de consciência política e podem ser usadas como armas simbólicas ao serem utilizadas pelo povo.

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Publicado

2025-12-27