Homens pretos choram e amam

O lirismo na Literatura Negra e/ou Afro-brasileira

Autores

  • Sabrina Silva Souza

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-0836.2025.v29.50409

Palavras-chave:

Literatura afrodiaspórica; Poética da Dissonância; Subjetividades negras.

Resumo

O objetivo deste artigo é fazer uma breve análise do poema Mano Brown também ama, de Lucas Litrento, contrapondo à crônica “Meia Noite”, do livro Homens pretos (não) choram, de Stefano Volp. Estes autores fazem parte da nova geração de escritores brasileiros, que não se encaixam no chamado cânone literário tradicional, e que, embora também pratiquem uma literatura de engajamento, buscam dar voz à uma literatura dissonante, ou seja, a uma literatura de invenção que foge, em sua finalidade, do que é, tradicionalmente, esperado de autores negros. Com uma lírica inovadora, suas narrativas além de desafiar os leitores a confrontar as realidades do racismo, da desigualdade, de vozes historicamente silenciadas, abrem espaço para discussões acerca das subjetividades do homem negro. Para entendermos essas questões, teremos que abordar e contrapor os conceitos de sistemas dominantes e dissonantes; de literatura afrodiaspórica, com sua poética de engajamento e resistência, opondo-se ao conceito de literatura errante, com sua poética de invenção e deslocamento; bem como os conceitos de “enracinèrrance” (Jean-Claude Charles) e minorias cognitivas (Berger, 1996), além das contribuições de Edimilson de Almeida Pereira (2022), bell hooks (2022), Frantz Fanon (2008), Homi Bhabha (1998).

 

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Publicado

2025-12-27