A metalinguagem na obra de Mário Faustino: uma análise da construção do eu poético

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1982-0836.2025.v29.49986

Palavras-chave:

Metalinguagem, Eu poético, Mário Faustino, Modernidade, Crítica literária

Resumo

Este artigo analisa a metalinguagem na obra de Mário Faustino como categoria estruturante do eu poético e como operação crítica que articula linguagem, consciência e modernidade. O estudo teve como objetivo geral investigar como a metalinguagem atua como princípio organizador na lírica faustiniana, não apenas como recurso formal, mas como expressão filosófica e autorreflexiva da poesia moderna. A metodologia baseou-se na análise de textos críticos, ensaios e poemas do autor, com ênfase no projeto Poesia-Experiência, identificando, ao longo da pesquisa, como Faustino funde os papéis de poeta, crítico, tradutor e pensador em um único gesto autoral. Os resultados indicam que a metalinguagem em Faustino não se restringe à autorreferência, mas assume uma dimensão ontológica, estética e ética, na medida em que o autor transforma o poema em campo de experiência e combate simbólico. Contudo, evidencia-se também que essa operação metapoética pode instaurar uma linguagem excessivamente autorreferida, que, ao enfatizar o rigor formal e a densidade intelectual, distancia-se da experiência sensível e da pluralidade interpretativa. Além disso, o estudo problematiza o alcance comunicativo da obra faustiniana, demonstrando que a figura do poeta-crítico, embora inovadora, pode impor uma estética disciplinadora e normativa que tensiona a abertura dialógica do poético. Conclui-se que a metalinguagem, em Faustino, opera como instrumento de estruturação existencial, mas também como risco de clausura formalista.

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Publicado

2025-12-27