Miguel Reale e a sua linguagem de propaganda integralista nos periódicos Panorama e Anauê!
DOI:
https://doi.org/10.34019/2318-101X.2026.v21.50519Resumo
Este artigo investiga a linguagem de Miguel Reale nos periódicos integralistas Panorama e Anauê!, propondo a noção de tradução como operação central na circulação e reconfiguração das ideias autoritárias no Brasil dos anos 1930. Com base na história política do pensamento e em análise documental de um corpus composto por seis textos de Panorama e três de Anauê!, demonstra-se que Reale articulou um léxico híbrido – jurídico, filosófico e católico – que sistematizou categorias-chave como corporativismo, ordem e liberdade, resignificando termos liberais em chave autoritária. As duas publicações cumpriram funções complementares: Panorama atuou como espaço de formação doutrinária e legitimação intelectual do integralismo; Anauê! traduziu esse vocabulário em linguagem de mobilização simbólica e popular, aproximando o discurso erudito do público militante. Ao iluminar essa dinâmica, o estudo contribui para repensar as intersecções entre fascismo, catolicismo político e imprensa integralista como mecanismos de legitimação autoritária, ressaltando a tradução intelectual como processo ativo de adaptação, mediação e criação conceitual, e não mera cópia ou recepção passiva.
Downloads
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Teoria e Cultura

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.





