Entre o mar e a palavra

Paulo Freire e os letramentos do território na alfabetização

Autores

  • Jackson Morais Barcelos Secretaria de Estado da Educação, Colégio Estadual do Campo Ilha Rasa, Guaraqueçaba, Paraná, Brasil https://orcid.org/0009-0002-7849-8198
  • Helena Midori Kashiwagi da Rocha Universidade Federal do Paraná, Setor Litoral, Programa de Pós-graduação em Mestrado Profissional em Rede Nacional para Ciências Ambientais, Matinhos, Paraná, Brasil https://orcid.org/0000-0003-2565-5428

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-9444.2026.v16.50118

Palavras-chave:

Paulo Freire, Currículo, BNCC, Alfabetização inicial

Resumo

Este artigo examina tensões e possibilidades da alfabetização inicial em territórios caiçaras, articulando Paulo Freire, para quem a leitura da palavra nasce da leitura do mundo, com perspectivas de letramentos sociais e com a tradição foucambertiana que entende a leitura como prática social e sistêmica. Adota-se um estudo documental de documentos públicos (BNCC, diretrizes e materiais correlatos, guias do PNLD e normativas nacionais e locais), a fim de compreender como prescrições curriculares e materiais didáticos mobilizam, silenciam ou abrem brechas para letramentos do território (marés, pesca artesanal, toponímia, temporalidades do trabalho no mar, cartografias comunitárias). O procedimento analítico integra análise de conteúdo e análise comparativa entre níveis normativos (federal, estadual, municipal) e objetos didáticos. Como contribuição, apresenta-se uma matriz de integração que alinha descritores da alfabetização inicial a práticas de leitura e escrita enraizadas no cotidiano costeiro, preservando exigências linguísticas e avaliativas. Os resultados apontam: (i) forte ênfase em rotinas fonográfico-silábicas e tarefas descontextualizadas; (ii) lacunas na orientação de projetos interdisciplinares que valorizem saberes locais; e (iii) janelas curriculares e textuais que permitem vincular objetivos de alfabetização à vida comunitária. Conclui-se que políticas e materiais ganham potência quando reconhecem a centralidade do território, convertendo-o em fonte legítima para o desenvolvimento da linguagem escrita na escola.

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Biografia do Autor

Jackson Morais Barcelos, Secretaria de Estado da Educação, Colégio Estadual do Campo Ilha Rasa, Guaraqueçaba, Paraná, Brasil

Graduado em Letras (UNINTER). Especialista em Metodologia da Língua Portuguesa e Inglesa (UNINTER). Mestre em Ciências Ambientais (UFPR). Professor de Ensino Fundamental e Médio pela Secretaria de Estado de Educação do Paraná, atua como pesquisador no Município de Guaraqueçaba Paraná, com práticas pedagógicas baseadas em temas geradores, epistemologias do território e metodologias Freirianas, voltadas à realidade das comunidades caiçaras do Litoral.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1838174335565069

Helena Midori Kashiwagi da Rocha , Universidade Federal do Paraná, Setor Litoral, Programa de Pós-graduação em Mestrado Profissional em Rede Nacional para Ciências Ambientais, Matinhos, Paraná, Brasil

Graduada em Arquitetura e Urbanismo (UFPR). Especialista em Engenharia da Segurança do Trabalho (UFPR). Mestra em Geografia (UFPR). Doutora em Geografia (UFPR). Pós-Doutora em Geografia (UFAM). Docente titular do Programa de Mestrado Profissional em Rede Nacional para Ensino das Ciências Ambientais, da Faculdade Federal do Paraná.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3191052327210152

 

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Publicado

2026-07-21

Como Citar

Barcelos, J. M., & Rocha , H. M. K. da . (2026). Entre o mar e a palavra: Paulo Freire e os letramentos do território na alfabetização. Pesquisa E Debate Em Educação, 16, 1–17, e50118. https://doi.org/10.34019/2237-9444.2026.v16.50118

Edição

Seção

Pesquisa aplicada