Religião, política e crianças

o discurso moral da Igreja Universal do Reino de Deus em diferentes contextos

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.34019/2236-6296.2026.v29.51747

Palabras clave:

Religião; Moral; Crianças; Política

Resumen

Este artigo analisa a mobilização de narrativas morais sobre a infância pela Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), por meio do jornal Folha Universal. Tomamos como recorte os contextos eleitorais dos anos de 2018 e 2022 e o ano de 2025, após a repercussão das denúncias do youtuber Felca sobre o fenômeno da “adultização”. Nos pleitos recentes, a moralidade ocupou lugar central no discurso bolsonarista, especialmente por meio da associação da esquerda com supostas ameaças à família, pauta recorrente no editorial. A análise indica que discursos religiosos e eleitorais tornam-se miméticos nesses contextos. Em contraste, diante das denúncias de Felca, o jornal abandona o tom acusatório direcionado à esquerda e passa a enquadrar o problema em fatores sociais mais amplos, como a modernidade e as redes sociais, atribuindo às famílias a responsabilidade pela regulação moral da infância. Nota-se que essa mudança revela estratégias discursivas acionadas conforme o contexto político.

 

Descargas

Los datos de descargas todavía no están disponibles.

Biografía del autor/a

Fabrício Roberto Costa Oliveira, Universidade Federal de Viçosa

Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Viçosa (UFV). Doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA/UFRRJ - 2012), com estágio sanduíche no Centro de Estudos Sociais (CES), da Universidade de Coimbra. Mestre em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa (2005). Bacharel e licenciado em História pela Universidade Federal de Ouro Preto (2003). Tem experiências de pesquisas nas Ciências Sociais, atua principalmente nos seguintes temas: religião e política, história das religiões, ensino de sociologia, movimentos sociais e história oral

Citas

BALIEIRO, F. de F. “Não se meta com meus filhos”: a construção do pânico moral da criança sob ameaça. Cadernos Pagu, [S. l.], n. 53, 2018. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8653414. Acesso em: 17 ago. 2022.

BOURDIEU, Pierre. A Economia das Trocas Simbólicas. São Paulo: Editora Perspectiva, 2015.

BURITY, J. A. Religião, política e cultura. Tempo Social, [S. l.], v. 20, n. 2, p. 83-113, 2008. DOI: 10.1590/S0103-20702008000200005. Disponível em: https://www.revistas.usp.br/ts/article/view/12580. Acesso em: 26 jun. 2023.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021.

CARRANZA, Brenda. Evangélicos: o novo ator político. In: Novo ativismo político no Brasil: os evangélicos do século XXI. Organização de José Luis Pérez Guadalupe e Brenda Carranza. Rio de Janeiro: Konrad Adenauer Stiftung, 2020.

CARRANZA, Brenda. Linguagem midiática e religião. Compêndio de Ciência da Religião. São Paulo: Paulinas, v. 1, p. 539-555, 2013.

CASANOVA, José. Public Religions in the Modern World. Chicago: The University of Chicago Press, 1994.

CERQUEIRA, Claudia. Igreja como partido: a relação entre a Igreja Universal do Reino de Deus e o Republicanos. RBCS, v. 36, n. 107, 2021.

CONCONE, Maria Helena Villas Boas (1998). Pesquisa Qualitativa nos Estudos de Religião no Brasil. In: Sociologia da Religião no Brasil: Revisitando Metodologias, Classificações e Técnicas de Pesquisa. Org. SOUZA, Beatriz Muniz de, GOUVEIA, Eliane Hojaij, JARDILINO, José Rubens Lima. ED. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC.

CYFER, Ingrid. (2018). A bruxa está solta: os protestos contra a visita de JudithButler ao Brasil à luz de sua reflexão sobre ética, política e vulnerabilidade. Cadernos Pagu, [S. l.], n. 53, 2018 Cadernos Pagu, (53). Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/8653410. Acesso em 18 de março de 2026.

FELCA. Adultização.YouTube, 06 ago. 2025. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FpsCzFGL1LE. Acesso em: 5 fev. 2026.

FISCHER, Rosa Maria Bueno. O dispositivo pedagógico da mídia: modos de educar na (e pela) TV. Educação e pesquisa, v. 28, p. 151-162, 2002.

FRANCO, T. A Eleição entre o bem e o mal: uma análise comparada dos discursos da Igreja Universal do Reino de Deus e de Jair Bolsonaro sobre a moralidade pública nas eleições de 2018. Sacrilegens, [S. l.], v. 19, n. 1, 2022. DOI: 10.34019/2237-6151. 2022.v19.37777. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/37777. Acesso em: 23 fev. 2023.

LAVILLE, Christian.; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Reimpressão 2008. Porto Alegre: Artmed, 1999.

LEITE, D. H. S.; OLIVEIRA, F. R. C.; MAIA, B. N. Religião e política na Igreja Universal doReino Deus: a mobilização das pautas de gênero e sexualidade no jornal Folha Universal (2018 e 2022).Sacrilegens,[S. l.], v. 21, n. 1, 2024. DOI: 10.34019/2237-6151.2024.v21.44234. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/44234. Acesso em: 17 jun.2026.

LOPES, Mariana Manzano;FULANETI,O. de N. Interseção entre as isotopias política e religiosa cristã nos comentários de apoio ao presidente Jair Bolsonaro. CASA: Cadernos de Semiótica Aplicada, 2022.

MACHADO, Maria das Dores Campos. O discurso cristão sobre a “ideologia de gênero”. Revista Estudos Feministas, v. 26, p. e47463, 2018.

MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. 5a edição. São Paulo: Edições Loyola, 2014.

MARIANO, Ricardo; GERARDI, Dirceu. Apoio evangélico a Bolsonaro: antipetismo e sacralização da direita. In: Novo ativismo político no Brasil: os evangélicos do século XXI. Organização de José Luis Pérez Guadalupe e Brenda Carranza. Rio de Janeiro: Konrad Adenauer Stiftung, 2020.

MARTINO, Luís Mauro Sá. Mídia, religião e sociedade: das palavras às redes digitais. São Paulo: Editora Paulus, 2017.

MIGUEL, Luis Felipe. O mito da “ideologia de gênero” no discurso da extrema direita brasileira. Cadernos Pagu, 2021, n. 62. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/18094449202100620016>. Acesso em: 16 ago. 2022.

MIGUEL, Luis Felipe; OLIVEIRA, Michel. Pânico Moral e Ódio à Diferença: a estratégia discursiva do “Escola Sem Partido”. Revista Sul-Americana de Ciência Política, v. 6, n. 2, p. 261-278, 2020.

MISKOLCI, Richard; CAMPANA, Maximiliano. “Ideologia de gênero”: notas para a genealogia de um pânico moral contemporâneo. Sociedade e Estado, v. 32, p. 725-748, 2017.

MOUFFE, Chantal. Sobreo Político. Tradução de Fernando Santos. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2015.

NATIVIDADE, Marcelo; DE OLIVEIRA, Leandro. Sexualidades ameaçadoras: religião e homofobia (s) em discursos evangélicos conservadores. Sexualidad, Salud y Sociedad-Revista Latinoamericana, n. 2, p. 121-161, 2009.

OLIVEIRA, F. R. C; GRACINO JUNIOR, P. A máquina universal: uma análise da mobilização do discurso moral na Folha Universal nas eleições de 2022. Religião & Sociedade, 43(1), 99–124, 2023. https://doi.org/10.1590/0100-85872023v43n1cap04.

RICHARDSON, Roberto Jarry et al. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo: Atlas, 1985.

SANTOS, Rayani Mariano. A mobilização de questões de gênero e sexualidade e o fortalecimento da direita no Brasil. Agenda Política, v. 8, n. 1, p. 50-77, 2020.

WEEKS, Jeffrey.Sex, politics and society: the regulation of sexuality since 1800.New York, Routledge, 1981

Publicado

2026-07-07

Cómo citar

OLIVEIRA, F. R. C.; PEREIRA, A. F. .; SILVA, L. N. F. da . Religião, política e crianças: o discurso moral da Igreja Universal do Reino de Deus em diferentes contextos. Numen, [S. l.], v. 29, n. 1, p. 37–58, 2026. DOI: 10.34019/2236-6296.2026.v29.51747. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51747. Acesso em: 14 jul. 2026.

Número

Sección

Evangélicos e política no Brasil: relações de poder e cruzadas morais