O monstruoso na versão latina do Apocalipse de Paulo (séc. V)
Uma aproximação literária e histórica
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2025.v28.48423Palabras clave:
Apocalipse de Paulo, Teoria dos Monstros, Cristianismo Ocidental, Jeffrey Jerome Cohen, Imaginário do InfernoResumen
O presente artigo analisa a versão latina do Apocalipse de Paulo, composta provavelmente na Itália no final do século V, a partir de uma abordagem literária e histórica. O objetivo é compreender como as figuras monstruosas e os cenários infernais descritos na narrativa operam como instrumentos pedagógicos e disciplinadores no interior do cristianismo Ocidental. Partindo da teoria dos monstros de Jeffrey J. Cohen, o estudo interpreta essas imagens como construções simbólicas que refletem ansiedades, tensões e estratégias de controle moral próprias de um cristianismo que era hegemônico, mas enfrentava disputas e conflitos. A metodologia adotada articula análise textual com ferramentas da história cultural, apoiando-se em fontes primárias e suporte historiográfico relevante. Os resultados demonstram que o inferno do Apocalipse de Paulo não apenas expressa a punição divina, mas também atua como espelho invertido da comunidade cristã, projetando em formas monstruosas o fracasso espiritual dos que não aderem ao projeto de vida cristã idealizada. O texto revela-se, assim, como um instrumento retórico a serviço da construção identitária de um cristianismo vigilante e austero, em meio à fragmentação política e social do mundo romano ocidental.
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