A fabricação legislativa do antigênero

gramáticas de proteção na ALESP

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/2236-6296.2026.v29.51691

Palavras-chave:

Antigênero; Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP); Direitos sexuais e reprodutivos; Pluralismo.

Resumo

Este artigo analisa como proposições legislativas contrárias à diversidade de gênero e aos direitos sexuais e reprodutivos foram formalizadas na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo entre 2019 e 2022. Com base em 34 projetos de lei e documentos correlatos, examino ementas, justificativas, tramitações, pareceres, emendas e articulações de autoria. O argumento central é que a ALESP não funciona apenas como cenário de expressão de disputas morais externas, mas como arena que reformula controvérsias antigênero em linguagem legislativa. Nesse processo, repertórios religiosos e conservadores, como o da ideologia de gênero, publicizados por segmentos evangélicos, articulam-se a coalizões e passam a operar por meio de gramáticas de proteção da infância, da família, da vida, da liberdade religiosa, da norma culta e do sexo biológico. Argumento que essa operação produz um modelo de proteção seletiva: restrições ao reconhecimento e à circulação de sujeitos LGBT+ e formas dissidentes de gênero e sexualidade são apresentadas como cuidado, prevenção, técnica, direito e ordem pública.

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Biografia do Autor

Alex Kalil, UNIFESP

Álex Kalil Alves Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Pesquisador no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP).

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Publicado

2026-07-07

Como Citar

KALIL, A. A fabricação legislativa do antigênero: gramáticas de proteção na ALESP. Numen, [S. l.], v. 29, n. 1, p. 179–201, 2026. DOI: 10.34019/2236-6296.2026.v29.51691. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/numen/article/view/51691. Acesso em: 14 jul. 2026.

Edição

Seção

Evangélicos e política no Brasil: relações de poder e cruzadas morais