“Lá é um sistema de cadeia!”: um retrato da violência das Comunidades Terapêuticas
DOI:
https://doi.org/10.34019/1980-8518.2026.v26.51164Palavras-chave:
Comunidades terapêuticas, Violência, Saúde mental, álcool e outras drogas, Reforma Psiquiátrica, ManicômiosResumo
No estudo, mapeamos denúncias públicas sobre as Comunidades Terapêuticas (CTs) no Brasil, identificando violações de direitos e irregularidades divulgadas pela mídia. A partir da análise documental de 251 reportagens jornalísticas do ano de 2023, foram extraídas três categorias principais: a) "Do portão pra dentro, as coisas mudam. Lá é um sistema de cadeia"; b) "Me tirava como um escravo"; c) "Eles diziam que eu não tinha Deus no coração". As categorias temáticas destacam os três pilares das CTs (trabalho, religiosidade e disciplina), revelando que elas utilizam: trabalho não-pago como exploração e forma de manutenção; religiosidade como imposição compulsória; e disciplina como controle e punição. O estudo evidencia que a violência não é uma exceção nas CTs, mas o seu normal, sendo expressão da lógica asilar-manicomial e em contrariedade aos princípios da Reforma Psiquiátrica brasileira.
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