Uma “revolução” no crime? O surgimento da Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN) no Ceará

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DOI:

https://doi.org/10.34019/2318-101X.2026.v21.50039

Resumo

Este artigo analisa o surgimento da Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN) no Ceará, enfocando as estratégias de legitimação, identidade e reorganização ética do crime mobilizadas pelo coletivo em um campo de disputas materiais e simbólicas entre coletivos criminais e facções. A pesquisa se apoia em incursões etnográficas, entrevistas e documentos empíricos - mensagens, estatutos, registros judiciais e comunicados internos conhecidos como “salves” - para examinar como a TDN se diferencia e rivaliza com grupos já consolidados, como o Comando Vermelho (CV) e a Guardiões do Estado (GDE), ao mesmo tempo em que se apropria seletivamente de repertórios ideológicos do Primeiro Comando da Capital (PCC). A análise destaca a ressignificação da massa carcerária como repertório de liberdade relativa, neutralidade e cooperação, articulando práticas discursivas e simbólicas com estratégias de governança criminal. O estudo também enfatiza a relação entre políticas estatais de controle do crime e reorganizações internas dos coletivos criminais, mostrando como o sistema penitenciário atua simultaneamente como espaço de disputa, inovação organizativa e palco de construção de legitimidade.

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Biografia do Autor

Cláudio Marques Maia, Universidade Estadual do Ceará

Possui graduação em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (2006). Atualmente é professor da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará e Inspetor de Polícia - Polícia Civil do Estado do Ceará. Especialista em Cidadania, Direitos Humanos e Segurança Pública - UFC (2018); Mestre em Sociologia - UECE (2023-2025).

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Publicado

2026-03-07