Tatuagem, deboche e carnaval: algumas reflexões sobre a política LGBT contemporânea a partir de uma antropologia do cinema e de uma festa que não existe mais

  • Marcos Aurélio da Silva Universidade Federal de Mato Grosso

Resumo

Este artigo pretende a realização de uma antropologia do cinema a partir do filme Tatuagem (dir. Hilton Lacerda, Brasil, 2013) para pensar temas caros às discussões políticas LGBTs contemporâneas como a luta por direitos civis e a dicotomia entre carnaval e política que ronda essas manifestações nas últimas décadas. Tatuagem traz à tona antigas possibilidades do estar junto para os “modos de vida”, como a amizade, num tempo como o atual em que os moldes da família e do casamento tradicional passaram a compor os mais caros ideais coletivos LGBTs. O filme também aponta a possibilidade de se pensar o deboche e o humor camp enquanto formas políticas legítimas e contestadoras. Nesse sentido, esse trabalho também vai pensar numa festa que não existe mais, o carnaval do Roma, realizado na cidade de Florianópolis, do final dos anos 1970 até o ano de 2008, reconhecido nesse período como um carnaval LGBT que reunia moradores e turistas que performavam e carnavalizavam nesse espaço suas identidades. Defendo que a força política desse carnaval e das manifestações narradas em Tatuagem está em grande medida ancorada nas desestabilizações e deslocamentos que pressionam os campos de gênero e sexualidade estabelecidos socioculturalmente. 

Biografia do Autor

Marcos Aurélio da Silva, Universidade Federal de Mato Grosso

Doutor e mestre em Antropologia (UFSC). Graduado em Comunicação Social (UFSC)

Publicado
2017-11-30