Povo Krenak

entre histórias de morte, vida e resistência

Autores/as

  • Tulio Toledo

DOI:

https://doi.org/10.34019/2237-6151.2026.v23.52696

Palabras clave:

Krenak, Perspectivismo, Morte, Imanência, Práticas funerárias

Resumen

A presente investigação analisa as concepções de morte entre o povo Krenak/Borum, articulando processos históricos de expropriação territorial, práticas funerárias e uma cosmologia de caráter relacional. A partir de revisão bibliográfica e de uma abordagem teórico-etnográfica, o estudo busca compreender a morte não como evento isolado, mas como reorganização de vínculos entre humanos, não humanos, potências e entidades espirituais e território. O trabalho dialoga com o perspectivismo ameríndio proposto por Eduardo Viveiros de Castro, mobilizado não como modelo explicativo fechado, mas como ferramenta crítica para tensionar categorias ocidentais que separam natureza e cultura, corpo e alma, vida e morte. No horizonte Krenak, o sagrado não se configura como instância transcendente apartada do mundo, mas como dimensão imanente que atravessa a paisagem, os corpos e as múltiplas formas de existência. A noção de pessoa, nesse contexto, não se reduz à unidade individual, sendo composta por dimensões anímicas que permanecem em circulação após a dissolução do corpo. Em contraste com a tradição cristã ocidental, que frequentemente associa a morte a julgamento moral e a um além dissociado da realidade sensível, argumenta-se que, entre os Krenak, morrer implica uma reconfiguração da presença no interior do próprio mundo. A morte, assim, não projeta um “pós-vida” separado, mas opera como continuidade e transformação na malha de vínculos da existência.

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Publicado

2026-08-26

Cómo citar

TOLEDO, T. . Povo Krenak : entre histórias de morte, vida e resistência. Sacrilegens , [S. l.], v. 23, n. 1, p. 67–92, 2026. DOI: 10.34019/2237-6151.2026.v23.52696. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/sacrilegens/article/view/52696. Acesso em: 31 ago. 2026.