Relembrando Paulo Rónai
O nome de Paulo Rónai talvez faça lembrar a alguns do autor de Como aprendi português e outras aventuras, em que a história que dá o título à coletânea apresenta a narrativa autobiográfica do judeu húngaro, nascido no início do século passado, que, após estudar sozinho português, veio para o Brasil, onde se fixou desde 1941. Outros, talvez, associarão o nome de Rónai à leva de intelectuais perseguidos pelo Regime Nazista, que, aportando em terras brasileiras, também encontraram liberdade intelectual para produzirem. Outros, ainda, se lembrarão de Rónai pelas lições de gramática latina da época em que se empregavam seus manuais Gradus Primus e Gradus Secundus para o ensino de latim e cultura clássica nas escolas brasileiras; ou, ainda, se recordarão de Rónai como o teórico da tradução e tradutor prolífico de obras em português, francês, húngaro e latim.
A pluralidade de contribuições de Paulo Rónai à cultura húngara, brasileira e internacional pelas quais hoje é lembrado, revela, sem dúvida, a permanência de seu legado. É bem verdade que esse legado se destaca pelo virtuosismo em cada um dos campos aos quais o estudioso se dedicou – o da produção e crítica literária, o da teoria e prática da tradução, o da reflexão e ensino das línguas e culturas clássicas… – , mas não deixa de configurar, igualmente, o resultado do trabalho de um intelectual sem fronteiras, que fez da sua vida um exemplo do multiculturalismo humanista que caracterizou sua obra, como se expressa nas suas palavras: “com a tríplice herança cultural que o destino me impôs – judeu, húngaro, brasileiro, e, ainda por cima, professor de latim, como poderia não trabalhar na aproximação dos indivíduos e dos povos, no contato das culturas e dos corações?”
Pela importância que sua obra confere aos Estudos Clássicos e à Tradução, os cursos de Bacharelado em Letras (Latim e Tradução) da Faculdade de Letras da UFJF, com grande honra, tomam emprestado o nome do valoroso intelectual à revista que ora apresentamos. Com efeito, Rónai, tradutor e poliglota que contribuiu efetivamente para que a literatura brasileira fosse conhecida em outras partes do mundo, e para que os falantes de português conhecessem obras da literatura francesa, húngara e latina, também prestou sua colaboração para que gerações de brasileiros entrassem em contato com a literatura e a língua latinas, visto que seus manuais de ensino de latim ainda continuam na memória afetiva de todos que, um dia, tiveram a experiência de aprender ou ensinar a língua dos antigos romanos.
