Yoga no Sistema Único de Saúde
considerações conceituais e bioéticas
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2025.v28.49103Palabras clave:
yoga, spirituality, bioethicsResumen
Com a crescente presença do Yoga no Sistema Único de Saúde (SUS), torna-se importante uma análise crítica de sua adequada conceituação para além de sua classificação governamental, como Prática Integrativa e Complementar em Saúde (PICS). Essa necessidade decorre da diversidade de entendimentos e aplicações do Yoga neste contexto, que vão desde enquadramentos instrumentalizados (‘atividade física’), sua vinculação como ‘recurso terapêutico’ da racionalidade médica Ayurvédica e ‘Yoga como uma medicina’, até propostas conceituais como ‘Prática Corporal Integrativa’. Este ensaio analisa criticamente essas definições, discutindo vantagens e desvantagens de seus usos no SUS. Para além dessas abordagens, explora-se o Yoga como uma ética de afirmação da autonomia. Conclui-se que tal ética, compreendida como um esforço universal para reduzir danos sistêmicos e fomentar uma postura anticolonial, capacita os indivíduos e coletividades a buscarem o bem-viver e a autonomia mesmo diante de estruturas sociais desiguais e alienantes.
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