Ecumenismo de guerra
a aliança tática entre católicos e evangélicos conservadores na política brasileira
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2026.v29.52111Keywords:
Ecumenismo de guerra, Católicos, Evangélicos, Política brasileiraAbstract
This article analyzes the phenomenon we call "war ecumenism": the tactical alliance between conservative Catholics and Evangelicals in contemporary Brazilian politics. Unlike historical ecumenism, guided by theological dialogue and the pursuit of Christian unity around progressive agendas and human rights, war ecumenism is characterized by pragmatic convergence around a common political agenda. Based on the analysis of parliamentary action, public demonstrations, and the discourses of religious leaders, the article demonstrates how Catholics and Evangelicals, historically separated by theological and cultural rivalries, have built electoral and legislative alliances supported by three programmatic axes: the anti-gender agenda, the defense of a specific conception of family, and the fight against what they call "gender ideology." We argue that this phenomenon represents a mutation in the Brazilian religious-political field, with significant implications for state secularism and human rights.
Downloads
References
AGUILAR, H. Dominionismo: la corriente evangélica que compite por el poder político y económico en América Latina. Religiones Latinoamericanas Nueva Época, n. 3, 2019, p. 39-64. Disponível em: https://www.religioneslatinoamericanas.com.mx/wp-content/uploads/2020/06/textos_3-hedilberto.pdf. Acesso em: 17 jan.2026.
ALENCAR, Gedeon. Protestantismo tupiniquim: hipóteses sobre a (não) contribuição evangélica à cultura brasileira.São Paulo: Arte Editorial, 2005.
ALVES, Rubem. Religião e Repressão. São Paulo: Loyola-Teológica, 2005.
AUGUSTO, C. A Marcha para Jesus representa a unidade de todos os filhos de Deus.Goiânia: Igreja Fonte da Vida, 2023. Disponível em: https://www.facebook.com/apcesaraugusto/videos/1572033930765098/. Acesso em: 17 jan.2026.
AZEVEDO, D. G. Manifesto dos bispos sobre o PNDH 3. Brasília: CNBB, 2010. Disponível em: https://www.cnbb.org.br/manifesto-dos-bispos-sobre-o-pndh-3.Acesso em: 15 dez.2025.
BASSUMA, Luiz; MARTINI, Miguel. Projeto de Lei 478/2007. Brasília: Congresso Nacional do Brasil, 2007.
BEDINELLI, Talita. Católicos e evangélicos em cruzada contra a palavra gênero na educação. El País Brasil, 11 jun. 2015. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/11/politica/1434059650_940148.html. Acesso em: 10 fev.2026.
BERGER, Peter L. O dossel sagrado: elementos para uma teoria sociológica da religião. São Paulo: Paulus, 1985.
BORGES, G. Episcopado católico versus 3º Programa Nacional de Direitos Humanos: Uma análise dos atuais discursos eclesiásticos sobre sexo e reprodução. Religião & Sociedade, v. 39, n. 2, 2019, p. 11-35. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rs/a/HMhMMwbYgtzQkT5gd4VbkJy/?lang=pt. Acesso em:15 fev.2026.
CAMPOS, João. Proposta de Emenda à Constituição 99/2011. Brasília: Congresso Nacional do Brasil,2011.
CLAUSEWITZ, Carl von. Da guerra. São Paulo: Martins Fontes, 1996.
CUNHA, Magali do Nascimento. Quando a unidade tem limite: o ecumenismo de conveniência entre católicos e evangélicos conservadores no Brasil. In: RIBEIRO, Claudio de Oliveira (Org.). Evangélicos e católicos: encontros e desencontros no século XXI. São Paulo: Reflexão, 2016,p. 147-164.
CUNHA, Magali do Nascimento. Fundamentalismo religioso galvaniza massa de apoio de católicos e evangélicos ao governo Bolsonaro e coloca a democracia em crise. São Leopoldo, Instituto Humanitas Unisinos, 10 maio 2021. Disponível em: https://www.ihu.unisinos.br/categorias/159-entrevistas/609069-fundamentalismo-religioso-galvaniza-massa-de-apoio-de-catolicos-e-evangelicos-ao-governo-bolsonaro-e-coloca-a-democracia-em-crise-entrevista-especial-com-magali-cunha. Acesso em 17 dez 2025.
DIAS, Zwinglio Mota. Sobre os empenhos ecumênicos na promoção e defesa dos Direitos Humanos. Plura,v. 4, n. 1, 2013, p. 116-126. Disponível em: https://revistaplura.emnuvens.com.br/plura/article/view/702/pdf_68. Acesso em: 17 dez.2025.
EVANGELISTA, A. C. Bancada Cristã: uma articulação conservadora na Câmara dos Deputados que dobra a aposta. Religião e Poder, 2025. Disponível em: https://religiaoepoder.org.br/artigo/bancada-crista-uma-articulacao-conservadora-na-camara-dos-deputados-que-dobra-a-aposta. Acesso em: 15 jan.2026.
FARRIS, James. Ecumenismo, mito e símbolo. Estudos de Religião,São Bernardo do Campo: UMESP. Ano XII, nº 14, jul. 1998, pp. 71-75.
FELICIANO, Marco. Peter Wagner, pioneiro do movimento apostólico moderno. 20 mar. 2024. Disponível em: https://www.facebook.com/PastorMarcoFeliciano/posts/916420285164658/. Acesso em: 15 jan.2026.
FELICIANO, Marco. Por que me tornei parlamentar.Brasília: Ministério de Avivamento, 2021.
FERREIRA, Anderson. Projeto de Lei 6.583/2013. Brasília: Congresso Nacional do Brasil,2013.
GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere: Maquiavel: notas sobre o Estado e a política. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. v. 3.
GUILLEN, Fernando. 7 montes. São Paulo: Editora Imaginar, 2009.
HÉRVIEU-LÉGER, Danièle. O peregrino e o convertido: a religião em movimento. Petrópolis: Vozes, 2008.
MALAFAIA, S. A diferença entre nós, cristãos, e a esquerda.YouTube, 2015. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Jzn3JsLxNyQ.Acesso em: 20 jan.2026.
MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil.São Paulo: Loyola, 1999.
MENDONÇA, Antônio Gouvêa. O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: Ed. Paulinas, 1984.
NAVARRO, Juan Bosch. Para compreender o ecumenismo. São Paulo: Loyola, 1995.
OLIVEIRA JR., Humberto Ramos de. Bancadas da fé, estado laico e direitos humanos: uma contribuição à reflexão acerca da laicidade brasileira.Religión e Incidencia Pública, n. 4,2016, p. 159-183. Disponível em: https://www.academia.edu/167240737/Bancadas_da_f%C3%A9_estado_laico_e_direitos_humanos_Uma_contribui%C3%A7%C3%A3o_%C3%A0_reflex%C3%A3o_acerca_da_laicidade_brasileira. Acesso em: 15 maio 2026.
OLIVEIRA JR., Humberto Ramos de. Nuances da visão evangélica dos direitos humanos. 2022. 163 f. Tese (Doutorado em Sociologia) - Universidade Federal de São Carlos. São Carlos, 2022.
OBSERVATÓRIO DE RELIGIÃO E DIREITOS HUMANOS. Religião e a contínua mobilização da extrema-direita: relatório trimestral–janeiro/março 2024. São Paulo: Otros Cruces/Conectas Direitos Humanos, 2024. Disponível em: https://otroscruces.org/wp-content/uploads/2023/08/Publicacion-PORTUGUES.pdf.Acesso em: 20 jan.2026.
PORTELLI, Hugues. Gramsci e o Bloco Histórico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977.QUADROS, M. P. R. Fim da direita envergonhada? Atuação da bancada evangélica e da bancada da bala e os caminhos da representação do conservadorismo no Brasil. Opinião Pública,v. 24, n. 3, 2018, p. 486-522. Disponível em: https://www.cesop.unicamp.br/vw/1IMf7Ta4wNQ_MDA_5deff_/1-Fim%20da%20direita%20envergonhada%20Atuação%20das%20bancadas%20“evangélicaSC.pdf. Acesso em: 20 jan. 2026.
QUEIROZ, Danilo; CORREIA, Mariama. Educação é principal foco de projetos de lei conservadores na Câmara. Agência Pública, 24 mar. 2024. Disponível em: https://apublica.org/2024/03/educacao-e-principal-foco-de-projetos-de-lei-conservadores-na-camara/. Acesso em 15 jan.2026.
RICARDO, P. Aliança política entre católicos e evangélicos. Programa Parresía, episódio 11. Cuiabá: Padre Paulo Ricardo, 11 dez. 2013. Disponível em: https://padrepauloricardo.org/episodios/alianca-politica-entre-catolicos-e-evangelicos. Acesso em: 10 dez. 2025.
ROSAS, N. Dominação evangélica no Brasil: o caso do grupo musical Diante do Trono. Contemporânea – Revista de Sociologia da UFSCAR, v. 5, n. 1, 2015, p. 235-258. Disponível em: https://www.contemporanea.ufscar.br/index.php/contemporanea/article/view/304/136. Acesso em: 10 dez.2025.
SEMERARO, Giovanni. Gramsci e a religião: uma leitura a partir da América Latina. O Social em Questão, n. 39, 2017. Disponível em: https://osocialemquestao.ser.puc-rio.br/media/osq_39_art_6_semeraro.pdf. Acesso em: 10 dez, 2025.
SANCHIS, P. O repto pentecostal à “cultura católico-brasileira”. Revista de Antropologia, São Paulo, n. 37, 1994, p. 145-181. Disponível em: https://www.jstor.org/stable/pdf/41616142.pdf. Acesso em: 15 fev de 2026.
SPADARO, Antonio; FIGUEROA, Marcelo. Fondamentalismo evangelicale e integralismo cattolico. La Civiltà Cattolica, 15 jul. 2017. Disponível em: https://www.laciviltacattolica.it/articolo/fondamentalismo-evangelicale-e-integralismo-cattolico/?fbclid=IwAR3u8AWIZ7VPE_mCkgHCz87MQiHJ95s0MgnV1Xg7-ZEaeEO-3tq4mKgT1Wk_aem_AS6-euRiS9v4ZtGYytTOmwvww1GLUmHGYygdT2NOBvpyfP9Mccd_7xVHfCv17vewPKnZ58uc5QLlPB2SlOEbihIy. Acesso em: 20 fev. 2026.
VITAL DA CUNHA, Christina; LOPES, Paulo Victor Leite. Religião e política: uma análise da atuação de parlamentares evangélicos sobre direitos das mulheres e de LGBTs no Brasil.Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: https://br.boell.org/sites/default/files/publicacao_religiao_e_politica_chris_vital_e_paulo_victor_14mar_webfinal.pdf. Acesso em 15 fev. 2026.
WOLFF, Elias. Caminhos do Ecumenismo no Brasil.São Paulo: Paulus, 2002.
Downloads
Published
How to Cite
Issue
Section
License
Direito Autoral e de Exoneração de Responsabilidade Editorial
O envio de artigo implica a cessão dos direitos de publicação à Numen. Ao submeterem o manuscrito, os autores declaram-se titulares dos direitos autorais da obra. Os artigos aprovados são publicados sob a licença Creative Commons Atribuição (CC BY 4.0). Esta licença permite o compartilhamento, cópia e redistribuição do material em qualquer suporte ou formato, bem como sua adaptação para qualquer fim, inclusive comercial, desde que seja atribuído o devido crédito aos autores originais e à Revista NUMEN como veículo de publicação original.
Os artigos publicados em Numen são de total responsabilidade dos respectivos autores e autoras.
O conteúdo científico, opiniões, dados, conceitos e posicionamentos expressos nos artigos publicados são de inteira e exclusiva responsabilidade de seus respectivos autores. Por conseguinte, cumpre esclarecer que:
- A competência da equipe editorial restringe-se à chancela do processo de avaliação positiva.
- A homologação dos pareceres favoráveis vincula a revista estritamente ao ato técnico da publicação.
- A revista exime-se de qualquer responsabilidade civil, penal, autoral ou ideológica sobre o teor das obras. Os artigos publicados na Revista NUMEN são de inteira e exclusiva responsabilidade civil, penal e acadêmica de seus autores. O processo editorial adota o sistema de avaliação cega por pares (double-blind peer review). A competência da revista limita-se a homologar a avaliação positiva dos pareceristas externos e executar o ato técnico da publicação, eximindo-se de qualquer responsabilidade sobre o conteúdo, opiniões ou dados vertidos na obra.
- Eventuais litígios ou contestações sobre o conteúdo deverão ser direcionados diretamente aos submissores do texto.
Política de Prevenção ao Plágio
Os autores garantem a total originalidade do manuscrito, sendo terminantemente vedados:
- Plágio direto ou parcial: Cópia de textos de terceiros sem a devida identificação e citação bibliográfica.
- Autoplágio: Reutilização massiva de textos próprios já publicados, sem o ineditismo exigido pela revista.
- Fraude científica: Fabricação ou manipulação de dados, gráficos e resultados.
Citações e Conteúdos de Redes Sociais
O uso de dados, imagens, textos ou quaisquer conteúdos extraídos de plataformas de redes sociais (como Instagram, TikTok, X/Twitter, Facebook, LinkedIn, entre outras) deve observar rigorosamente os seguintes critérios jurídicos e técnicos:
- Direito à Privacidade e Anonimização: É obrigação dos autores anonimizar dados pessoais, nomes, fotos e perfis de usuários que não sejam figuras públicas, garantindo o direito à privacidade e a proteção de dados (LGPD).
- Direito de Imagem e Propriedade Intelectual: A reprodução de capturas de tela (prints), fotografias ou obras artísticas publicadas em redes sociais exige a autorização expressa do titular dos direitos ou o enquadramento estrito nas exceções legais de direito de citação para fins de crítica ou estudo.
- Rigor Metodológico: Todo conteúdo digital retirado de redes sociais deve vir acompanhado da respectiva citação técnica, contendo o autor do post, o nome da plataforma, o link direto de acesso (URL) e a data exata do acesso.

