Arena pública, tensões e visões pluralistas de públicos emergentes
o caso dos intervalos bíblicos em escolas estaduais de Pernambuco
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2026.v29.51434Keywords:
Problemas públicos; Ativismo evangélico; Laicidade; Escola pública; Política de direita.Abstract
Esse artigo analisa a controvérsia dos intervalos bíblicos em escolas públicas de Pernambuco (2024) a partir da sociologia dos problemas públicos (Cefaï). Com base em análise documental (Projeto de Lei nº 2283/2024, atas do MPPE), interações no Instagram e observação de audiências públicas na ALEPE e no MPPE, demonstra como atores evangélico-conservadores transformaram prática devocional juvenil em estratégia de intervenção política no espaço escolar. Os resultados evidenciam padrão de instrumentalização da fé sustentado por três operações: deslocamento discursivo, que converte liberdade religiosa individual em justificativa para imposição coletiva majoritária; agenciamento político da juventude, materializado na coleta de 17 mil assinaturas como capital eleitoral; ecaptura legislativa, com o PL 2283/2024 institucionalizando privilégio confessional sob retórica de cultura de paz. Conclui que a mediação institucional do MPPE, ao regular excessos em vez do princípio da laicidade, naturalizou a presença religiosa na escola, consolidando a instrumentalização da fé como estratégia de hegemonia cultural.
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