Crente não se mete em política?
Notas sobre a atuação política dos Pentecostais no Brasil contemporâneo
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2026.v29.51506Palavras-chave:
Pentecostais; Redemocratização; Bancada Evangélica; Religião e Política.Resumo
Este artigo analisa historicamente a atuação política dos pentecostais no Brasil contemporâneo, destacando a transição de um distanciamento tradicional em relação à política institucional para uma presença organizada no espaço público. A partir de uma revisão crítica da literatura especializada, incluindo estudos sociológicos e historiográficos, o texto toma como ponto de partida o período do regime militar (1964–1985) e as eleições gerais de 1986, situando a Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988 como um momento decisivo para a inserção pentecostal no sistema político. Ao mesmo tempo, a análise acompanha os desdobramentos desse processo nas décadas seguintes, quando a presença evangélica se consolida nas arenas institucionais por meio da formação e da ampliação da chamada bancada evangélica no Parlamento brasileiro. Nesse percurso, o artigo examina as mudanças discursivas e organizacionais que permitiram a formação de candidaturas oficiais, a mobilização eleitoral de fiéis e a crescente articulação de pautas públicas associadas à moralidade religiosa. Ao mesmo tempo, ressalta a heterogeneidade interna desse segmento religioso e os limites de sua atuação política no contexto de um Estado democrático e laico. Ao oferecer um balanço crítico das principais abordagens sobre o tema, o artigo contribui para a compreensão das dinâmicas históricas e institucionais que caracterizam a presença pentecostal no campo político brasileiro contemporâneo.
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