O poema – e por que não a crítica – como monstro
Uma leitura de “Consorting with Angels”, de Anne Sexton
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2025.v28.48788Palavras-chave:
O poema como monstro, crítica, Anne Sexton, Consorting with AngelsResumo
O artigo quer apresentar uma leitura possível do poema Consorting with Angels, da escritora americana já falecida, Anne Sexton. A aproximação ao poema se dará no horizonte de um diálogo com questões suscitadas pela chamada “monster theory”, mas nem por isso trata-se de encará-lo como uma espécie de ilustração de construtos teóricos exógenos a ele. Pelo contrário. O intuito é evidenciar como o próprio poema, não só contém, mas engendra a monstruosidade entendida nos termos de hibridização e liminaridade em sua constituição e partir daí estabelecer uma conversa com a teoria dos monstros e derivar dela as consequências para o ofício crítico. O trajeto reflexivo é uma espécie de espiral. Vai do poema como monstro ao diálogo com a “monster theory”, e de alguns elementos que compõem esse campo teórico ao poema, e em seguida ao próprio trabalho da crítica. Por isso, se propõe uma leitura do poema, tentando evidenciar sua monstruosidade, e depois um exercício de “crítica da crítica”. Serão fornecidas informações contextuais introdutórias sobre a trajetória da artista supracitada, mas, a leitura se baseará, sobretudo num corpo a corpo com o poema e num diálogo com conteúdos que podem ser associados a ele de maneira mais ou menos livre. O objetivo é pensar como o poema é não só portador da monstruosidade, mas o próprio monstro e que a crítica pode ser, a uma só vez, uma resposta visceral e, portanto, também monstruosa, a esse tipo de estética.
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