“Na roda da capoeira Grande e pequeno sou eu”
divino gingado, divino cantado
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2023.v26.39697Resumo
Uma das características mais próprias da Capoeira é a sua imbricada relação com a musicalidade. Diversos artigos, livros e dissertações exploram as implicações religiosas, identitárias e culturais que as músicas expressam como uma parte constitutiva do espaço do jogo capoerístico. Nesse nosso artigo, mais do que realizar uma análise histórica da presença e importância da música na prática da capoeira, pretendemos explorar alguns aspectos religiosos, tanto nas letras de compositores praticantes (Mestres), como de domínio público e do universo da música popular brasileira, naquilo que elas possuem de elementos importantes para a compreensão da capoeira como força dinamizadora de valores que constituem e contribuem para um melhor entendimento das raízes da cultura brasileira. Para tanto, dividiremos nossa exposição em três tópicos: a) no primeiro, traçamos, apoiados no trabalho de Ângelo Augusto Decanio Filho, mestre Decanio, linhas que contornam alguns ritmos, fundamentalmente de matriz afro e que encontram, na capoeira, recepção e releituras; b) em seguida, realizamos um trabalho hermenêutico, a partir de cantigas autorais e de domínio público, observando o que há nelas de religiosidade e, principalmente, de abertura para uma visão híbrida de elementos religiosos oriundos de diversas tradições; c) finalmente, exploramos, tendo a obra do compositor Paulo César Pinheiro como núcleo, as ressonâncias do imaginário da capoeira, no tocante ao aspecto religioso, na MPB.
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