Rubem e a liturgia das palavras que dançam

  • Luiz Carlos Ramos

Resumo

Sua companhia era sempre um acontecimento, por mais prosaico que fosse o motivo: o pagamento de uma conta, o agendamento de algum compromisso, a entrega de uma correspondência… Seu dom, meio parecido com o do rei Midas, era transubstanciar as coisas prosaicas e deixá-las encantadas.

Seu jeito de olhar o mundo era diferente, e quando ele nos dizia o que estava vendo, o mundo se transformava diante dos nossos olhos também.

Como veem, aquele longínquo e crepuscular milagre de Emaús continua a acontecer: No partir do pão, pela misteriosa dança das palavras, nossos olhos se abrem.

Não, diferente do outro Mestre, o Rubem não era perfeito. Mas, como aquele, era humano, demasiado humano.

Publicado
2020-04-18
Seção
Rubem Alves - Repensando o Sagrado