Dostoiévski, Niilismo e Fé
DOI:
https://doi.org/10.34019/2236-6296.2016.v19.22026Palavras-chave:
religião, arte, humanismo, pessimismo, CristianismoResumo
É preciso considerar a questão da fé antes de considerar a questão da religião, porque, no pensamento dostoievskiano, o oposto do ateísmo é a fé. Esta pode estar ausente da religião institucionalizada, quando esta se torna uma casca vazia, e incapaz de responder ao ateu. É benéfico conhecer algumas referências de época. O contexto da discussão com o ateísmo é o debate sobre o niilismo, na sua vertente russa da década de 1860. O “reacionarismo” dostoievskiano é antes de tudo um antiniilismo, que se reflete em teses econômicas, mas é muito mais amplo. Superar o niilismo é afirmar, entre outras coisas, que o homem não é um nada que só ganha conteúdo em sociedade; que ele tem de passar por um processo doloroso de aceitação de suas deficiências para conquistar a consciência moral. O niilismo só encontra na fé o seu oposto, porque exige uma renúncia ao Eu de que o intelecto, por si só, não é capaz.
One must ask about faith before asking about religion in Dostoevsky´s thought. Faith can be absent from institutionalized religion, when it turns into an empty shell, thus unable to discuss atheism. It is necessary to identify some local discussions in 1860´s educated Russia. The debate on nihilism, as defined then, helps us identify the main points of Dostoevsky’s contention with atheism. We must understand his so-called conservatism as antinihilism that points to a standpoint on economic policy, but is much wider. Overcoming nihilism implies, among others, that man in not a nothing that is fulfilled by society; that he must undergo a painful process of acceptance of his flaws, in order to achieve moral consciousness. Nihilism finds in faith its opposite, because it requires a resignation which intellect alone is incapable of.
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