Kierkegaard e Lutero
Resumo
Kierkegaard, especialmente em seu período tardio, formulou críticas a Lutero que podem ser melhor compreendidas como reação ao seu próprio contexto estatal luterano. A relação entre cristianismo e cultura, desenvolvida por ele com a oposição entre cristandade e cristianismo, é o meio de sublinhar a importância do relacionamento pessoal com Deus ao invés de contar com a religião institucional "objetiva". Por isso é que Kierkegaard, por exemplo, critica a doutrina da justificação de Lutero como suavização do paradoxo de Cristo pela simplificação demasiada da relação entre a graça de Deus e a ação humana. A conseqüência é que Kierkegaard pode ser entendido já como um pensador da modernidade tardia, uma vez que ele não enfoca paradigmas ontológicos, mas a decisão existencial. Seu pensamento paradoxal o leva a uma peculiar rejeição da igreja cristã ao mesmo tempo que luta para encarnar o indivíduo cristão perseguido. Enxergar seu pensamento em relação com o seu contexto no século XIX e não como uma análise objetiva do pensamento de Lutero possibilita entendê-lo como um luterano do século XIX batalhando contra a decadência do compromisso religioso pessoal -uma mensagem que ainda é útil hoje na refonnulação da eclesiologia.
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