Dossiê: RELIGIÕES E VIOLÊNCIAS EM SOCIEDADES EM CONFLITO

2024-03-06

Editores do Dossiê
Prof. Dr. Paulo Barrera Rivera (UFJF)
Prof. Dr. Marcos Carbonelli (CONICET- UNAJ Argentina)
Prof. Dr. Maxwell Fajardo (UFJF)
Prof. Dr. Cesar Pinheiro Teixeira (Universidade Vila Velha - UVV)

 

Chamada

Nas periferias da América Latina, observa-se uma intensa presença do religioso em contextos marcados por dinâmicas de violência, que vão desde o domínio territorial exercido por grupos armados (facções, milícias, máfias, guerrilhas) à regulação excessiva dos aparatos estatais sobre os corpos, passando pela sensação de insegurança e de indignação, de caráter simbólico e material, que atravessam a vida cotidiana em diferentes cidades da região – potencializadas graças à circulação de discursos estigmatizantes de gênero, raça, pertencimento religioso ou condição de migrante.
Em todas essas situações, as agências religiosas intervêm, em diversos graus, em razão de sua vocação pública e de seu enraizamento territorial. Atuam como fontes de conflito, produtoras de memória e legitimações, construtoras de instâncias de paz, fábricas de esquemas interpretativos ou simplesmente como criadoras de marcos de certeza e ordem em contextos de vulnerabilidade. Esses são alguns dos papéis que as agências religiosas operam na trama política latino-americana e que o presente dossiê propõe revisar.
Particularmente, interessa-nos analisar como as agências religiosas com trabalho pastoral nas periferias urbanas da América Latina se posicionam frente aos circuitos de violência que ali se instalaram. Como gerem as ameaças à ordem e as situações de anomia e diluição do laço social que têm como protagonistas tanto narcotraficantes, milicianos e redes mafiosas quanto a violência exercida pelas forças repressivas do estado e pelo patriarcado. Por outro lado, abordaremos o problema da (in)tolerância religiosa, no qual crentes e especialistas tornam-se vítimas e algozes em casos de perseguição e discriminação, conforme o contexto; ao mesmo tempo se presta atenção à violência simbólica, sempre mais sutil. Finalmente, resgataremos a intervenção de grupos religiosos na produção de memória e tematização de conflitos armados, históricos e atuais.
Considerando a fecundidade das intersecções apresentadas, convidamos pesquisadores e pesquisadoras que investigam esses temas a submeterem seus trabalhos até o prazo estipulado. Serão bem-vindas propostas que mobilizem os marcos analíticos sugeridos, pondo em diálogo a pesquisa empírica e o debate conceitual deste campo temático.


Prazo para submissão: 30 de agosto de 2024.