“Sons de Dentro: a sobrevivência pragmática de um músico da favela em tempos de COVID-19”
DOI:
https://doi.org/10.34019/2525-7757.2025.v11.50060Palavras-chave:
Músicos independentes; sobrevivência; favela; pandemiaResumo
Este artigo discute como um músico negro independente, morador de um conjunto de favelas do Rio de Janeiro (Brasil), sobreviveu à pandemia de Covid-19. Os dados gerados por meio de procedimentos etnográficos online-offline incluem performances artísticas e entrevistas. Articulando perspectivas das Ciências Sociais e da Linguística Aplicada, o estudo tem dois focos analíticos. A primeira investiga a reconstrução narrativa das condições materiais e simbólicas relacionadas a moradia e ao trabalho que impactaram as produções profissionais desse artista naquele período. A segunda observa a performance desse artista na Internet. Na análise dos dados observa-se a interseção de questões macro e microssociológicas nessas performances online, considerando: a) como os artistas se reconhecem em estruturas sociais, políticas e econômicas desiguais; e b) que táticas de resistência elaboraram para sobreviver à pandemia. Os resultados indicam um duplo movimento. Por um lado, o músico representam um alto grau de reflexividade crítica sobre suas identidades sociais e seus lugares de pertencimento na estrutura fortemente estratificada da sociedade brasileira. Por outro lado, os dados mostram que, mesmo em condições de vulnerabilidade, os artistas se apropriam das tecnologias e tropos culturais disponíveis, resistem e permanecem vivos, fenômeno que denomino de sobrevivência pragmática. O diálogo interdisciplinar entre os estudos da linguagem e os estudos sociais urbanos surge, assim, como um caminho fecundo para compreender possibilidades de reinvenção da experiência em condições de opressão e precariedade, rumo à produção de alianças e práticas solidárias.
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