ACNUR e Governo Federal na Operação Acolhida: transparência, opacidade e os limites do discurso institucional
DOI:
https://doi.org/10.34019/1981-4070.2026.v20.50856Palavras-chave:
Operação Acolhida, Agência Pública, Análise Crítica do Discurso, comunicação pública, comunicação de governo.Resumo
Este artigo analisa o discurso institucional sobre a atuação do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Operação Acolhida (OPA), a partir de publicações veiculadas no site do Governo Federal, em contraste com reportagens da Agência Pública. A pesquisa examina como a noção de "cooperação" permeia sistematicamente as publicações oficiais, ao mesmo tempo em que a gestão operacional da OPA aparece fortemente vinculada ao protagonismo da agência. Partindo da tensão entre transparência e opacidade, discutimos o papel da comunicação pública na construção de narrativas institucionais e os limites impostos à soberania nacional diante da presença e da influência do ACNUR – entidade que, diferentemente do Estado, não possui obrigação legal de transparência perante a sociedade brasileira. Os resultados são confrontados com denúncias de violações de direitos humanos presentes nas matérias jornalísticas analisadas, evidenciando incoerências nos discursos oficiais. Com base na Análise Crítica do Discurso, o trabalho argumenta que as vias institucionais constroem uma representação parcial e seletiva da realidade migratória no Brasil, orientando, dessa maneira, estrategicamente o olhar público para essa realidade no país e fortalecendo a ideia da OPA como projeto político modelo.
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