Memória Amordaçada: o massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34019/1981-4070.2021.v15.34556

Palavras-chave:

História, Memória, Silêncio, Caldeirão de Santa Cruz do Deserto

Resumo

O artigo visa discutir a produção da memória amordaçada a partir das discussões da memória, da história e do silenciamento sobre o massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, episódio da história do Ceará, estado do Nordeste brasileiro, ocorrido há menos de um século em uma comunidade sociorreligiosa liderada pelo beato José Lourenço, na região do Cariri, em 1937. A pesquisa se sustenta na categoria de memórias subterrâneas de Michel Pollak, para entender como a história do massacre ficou silenciada, mas não esquecida. O corpus de análise é composto por relatos de três remanescentes que guardaram o acontecimento na memória, mesmo não tendo tido ação direta no episódio. As narrativas orais dos episódios permitiram entender os processos pelos quais a memória social é amordaçada e como vem à superfície. Entende-se que o massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto pode ser considerado como uma dessas histórias do tempo presente, porque conta com as lembranças de personagens, daqueles que atuaram, viveram ou mesmo testemunharam os acontecimentos. No entanto, é uma memória amordaçada, visto que foi silenciada de modo violento.

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Biografia do Autor

Kelsma Maria Silva Gomes, Universidade Federal do Cariri

Mestre pelo Mestrado Profissional em Inovação na Comunicação de Interesse Público da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).

João Batista Freitas Cardoso, Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS)

Doutor em Comunicação e Semiótica (PUC). Docente do Programa de Mestrado Profissional Inovação na Comunicação de Interesse Público da USCS e do Centro de Comunicação e Letras da UPM.

Priscila F. Perazzo, Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Doutora em História Social (USP). Docente do Programa de Mestrado Profissional Inovação na Comunicação de Interesse Público - USCS. 

Bárbara Heller, Universidade Paulista

Doutora em Teoria Literária (Unicamp). Docente do Programa de Comunicação da Universidade Paulista – UNIP. 

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Publicado

2021-08-30

Como Citar

SILVA GOMES, K. M.; FREITAS CARDOSO, J. B.; F. PERAZZO, P.; HELLER, B. Memória Amordaçada: o massacre do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto. Lumina, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 72–85, 2021. DOI: 10.34019/1981-4070.2021.v15.34556. Disponível em: https://periodicos.ufjf.br/index.php/lumina/article/view/34556. Acesso em: 27 set. 2021.

Edição

Seção

Dossiê: História, Memória, Comunicação – entre crises e críticas